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Operação Faroeste: delação diz que Juiz de Formosa receberia propina de R$10 milhões.

08/04/2020

juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio

Primeiro delator da Operação Faroeste, o advogado Júlio César Cavalcanti Ferreira relatou em seu acordo de colaboração que o assim chamado falso cônsul da Guiné Bissau Adailton Maturino prometeu R$ 10 milhões ao juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio para que ele prejudicasse centenas de produtores rurais e cumprisse, na primeira instância do Judiciário, o plano de tornar o borracheiro José Valter Dias dono de 366 mil hectares de terra em Formosa do Rio Preto.

“Enfatize-se, nesse quadrante, que Adailton Maturino havia prometido, conforme noticiado por Júlio César, a quantia de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) de propina ao juiz Sérgio Humberto, para, em 1º grau, cumprir o desiderato criminoso ajustado com os desembargadores Gesivaldo Britto, José Olegário, Maria da Graça Osório e Maria do Socorro”, afirma a subprocuradora-geral da República Lindora Araújo.

Em 2017, Sérgio Humberto deu uma liminar determinando a saída de mais de 300 agricultores de suas terras, em pleno período de colheita, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A liminar teria favorecido justamente o grupo de Adailton Maturino, cuja esposa se tornou sócia do borracheiro José Valter Dias em uma holding que se apropriou das propriedades, com base em decisões judiciais apontadas como irregulares.

O juiz Sérgio Humberto foi preso na primeira fase da Operação Faroeste, assim como Adailton Maturino.

De acordo com a PGR, o “desiderato criminoso” de Maturino teria sido ajustado também “com os desembargadores Gesivaldo Britto, José Olegário, Maria da Graça Osório e Maria do Socorro”. Segundo denúncia apresentada pela procuradoria, Maturino montou “uma verdadeira máquina de corrupção” no Judiciário baiano “para impedir qualquer tipo de vitória a quem não se curvasse a ela”. As terras de Formosa do Rio Preto estão ocupadas há três décadas por produtores rurais, que migraram para a região a partir de um programa do governo federal que tinha como objetivo fomentar a atividade agrícola no local

Segundo a denúncia da PGR, os 366 mil hectares de terras cobiçadas pelo falso cônsul estariam hoje avaliados em mais de R$ 1 bilhão, sem considerar os benefícios das terras – correções de solo, cultivo de mais de 10 anos – e dos benefícios como estradas, galpões, silos e demais construções.

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