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Cigarrinha reduz cultivo do milho até em pivôs de Luís Eduardo Magalhães.

19/04/2021

Ataques severos do inseto reduzem produção para perto de zero.

Reportagem do Canal Rural analisa as perdas causadas pelo enfezamento, doença virótica transmitida pela cigarrinha nos cultivos de milho em todo o País. Celito Breda, de Luís Eduardo Magalhães, afirma que este ano não se plantará milho nas áreas irrigadas do Oeste baiano. Produtores já estão pensando em vazio sanitário para evitar a “ponte verde” do inseto.

O aumento de casos de enfezamento nas lavouras de milho acende um sinal de alerta no campo. A doença pode causar perdas de produtividade superiores a 90%, principalmente quando não são usadas cultivares resistentes. Diante disso, agricultores, pesquisadores e entidades de Mato Grosso estudam medidas para conter a presença da praga responsável pela doença nas plantações, a cigarrinha.

Atualmente, a cigarrinha é considerada um dos insetos mais nocivos para a agricultura na América Latina. O inseto de cor branco-palha tem apenas meio centímetro de comprimento, alimenta-se exclusivamente de milho e coloca ovos na epiderme, preferencialmente na nervura central de folhas do cartucho da planta. O ciclo da espécie está completo em 27 dias, mas a longevidade média chega a 45 dias.

Por apresentar o hábito sugador, além de causar danos, pode transmitir patógenos para a planta. “São doenças sistêmicas que reduzem a quantidade de nutrientes absorvidos pelas plantas, e isso pode causar uma redução de produtividade”, explica a entomologista da Fundação MT, Lucia Vivan.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a praga está presente nas lavouras do estado há aproximadamente três safras. “Porém, ela ainda não estava transmitindo o enfezamento, que é a doença que preocupa. Este ano, já vimos áreas contaminadas. O problema maior é que ela é uma doença silenciosa, o produtor só vai perceber quando já for tarde”, diz Lucer Beber, vice-presidente da entidade.

Cientes que depois de instalada, a cigarrinha é difícil de ser controlada, o presidente da Aprosoja-MT, Fernando Cadore, pede cautela por parte dos produtores e empresas. “Faça suas pulverizações e faça o monitoramento. Obviamente, medidas têm que ser muito bem pensadas, e o momento agora é de estudo da praga e de planejamento para se saber de que maneira atuar com relação a essa praga”, defende.

A entomologista Lucia Vivan faz algumas recomendações que podem ajudar a reduzir a população da cigarrinha nas lavouras: verificar as áreas de milho verão para saber se há presença da praga. Caso haja, o produtor precisa realizar o controle para que o inseto não se desloque para as lavouras da segunda safra. Além disso, áreas de braquiária também merecer atenção redobrada, segundo a cientista, porque as cigarrinhas podem sobreviver nessas plantas e depois retornar ao milho.

A cigarrinha não está tirando o sono apenas do produtor de Mato Grosso

A presença da praga em lavouras da Bahia é mais antiga e mais grave, tanto que alguns produtores estão desistindo de plantar milho. É o caso do agricultor Celito Bredas. Esta é a primeira safra sem milho nas áreas de pivô da propriedade, que fica em Luís Eduardo Magalhães (BA). Segundo ele, o enfezamento inviabilizou o cultivo, que tinha potencial de mais de 200 sacas por hectare.

“Em 2016, começamos uma batalha contra a cigarrinha do milho, que é vetor dos enfezamentos e molicutes no milho. Parei de plantar devido a esse problema, porque é muito grave. Baixamos, em pouco tempo, de 180 para 100 sacas por hectare, e aí fica inviável. Em alguns pivôs com materiais tolerantes, conseguimos 140 sacas. Mesmo assim, a gente não se anima a plantar milho”, conta Celito.

Para os agricultores baianos, a solução para o problema seria a regulamentação nacional de um calendário de vazio sanitário para o milho. O pedido já foi encaminhado ao Ministério da Agricultura.

“É muito importante e fundamental para a nossa região. Nós temos que voltar a plantar milho. Eu diria até que o Brasil precisaria plantar mais milho do que soja daqui 5 ou 10 anos. É necessário para a sustentabilidade de toda a cadeia de alimentos do Brasil”, frisa Celito.

O pesquisador e fitopatologista Lucas Fantin, da Fundação Chapadão, em Mato Grosso do Sul, também apoia o vazio sanitário para o milho.

“O manejo de enfezamentos está relacionado muito à ponte verde: uma área de milho verão, plantas tigueras e o milho safrinha promovem a perpetuação dos enfezamentos”, lembra.

Nos anos 80, a proliferação da cigarrinha na brachiara decumbens provocava doenças hepáticas e fotossensibilização de bovinos e ovinos em todo o Centro Oeste do País. Identificadas as causas, a varietal dessa brachiaria deixou de ser plantada.

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