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Escassez de soja, milho e trigo é a maior dos últimos anos.

22/01/2021

Entrevista do Notícias Agrícolas relata a desorganização dos mercados internacionais de soja, os estoques quase zerado, e a necessidade de três anos, pelo menos, de safras de soja cheias para recompor os estoques globais 

As baixas fortes e consecutivas que o mercado da soja na Bolsa de Chicago vem registrando nos últimos dias é um movimento natural e que já vinha sendo esperado, dada a velocidade da escalada das cotações nos últimos meses, como explicou o diretor da SIMConsult, Liones Severo, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (22). Trata-se de uma perda acumulada de quase 6% na semana.

No entanto, há uma latente necessidade de racionamento do consumo não só da soja em grão, mas do farelo e do óleo com preços que deveriam estar ainda mais elevados para que esse movimento se concretize frente a um quadro de oferta muito limitada.

Os fundos investidores vêm carregando posições compradas recordes na oleaginosa, nos derivados, e também no milho e no trigo, o que os incentivou a aproveitar a oportunidade dos preços bastante altos para realizar lucros.

Mas, “na medida em que eles atuam dessa maneira eles destroem a capacidade de racionar. E o racionamento é, exatamente, a necessidade de destruir o processamento industrial. E os fundos, nessa competição, atuam de forma diversa da necessidade do mercado de fazer esse racionamento”, diz.

E o racionamento tem de acontecer. “Não vai ter mais soja no mundo para o mercado consumir e os preços vão subir”, complementa Severo, afirmando que o mundo registra, atualmente, a mais ampla escassez de grãos – soja, milho e trigo – dos últimos anos. “A escassez soberana nos EUA é evidente e já reconhecida por todo mercado”.

Ao lado da oferta passando por uma rápida da drenagem, a demanda por soja registra um crescimento além de muito forte, também bastante rápido, intensificado pela recomposição dos rebanhos na China, o que consolida mais um sinal da necessidade de os preços refletirem esse quadro e, ainda como explica o consultor, os preços voltarem a subir.

“E não deve demorar muito, porque não tem mais produto. O fundamento é o produto e não tem mais, é a lei natural do mercado. Temos que ter um pouco de calma porque o mercado também se constrói no tempo”, explica Severo. E complementa dizendo as distâncias, tempos logísticos e custos também têm de ser considerados para a formação dos preços.

Já há um déficit de ao menos 10 milhões de toneladas na oferta e serão necessários mais três anos, pelo menos, de safras cheias para trazer alguma normalidade e recuperação aos estoques. O diretor do SIM afirma ainda que a situação do milho pode ser ainda mais grave e apertada do que a da soja, o que se estende também para o trigo.

“Eu considero esse momento com a escassez de produtos mais ampla de todos os tempos (…) O mundo tem que pagar para que se produza mais e conseguirmos alimentar essa população que está crescendo todos os dias. E vai pagar”, diz Severo.

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