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Focado em si, Bolsonaro ameaça a democracia e abandona o Brasil à covid-19.

28/05/2020

Imagem: EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Bolsonaro já desprezava a covid-19 por acreditar que uma interrupção prolongada da pandemia geraria impactos econômicos que enfraqueceriam seu governo.

Mas, agora, entrou no “modo de sobrevivência”, nada mais importa, nem vidas, nem a democracia. Mostrando que é um capitão apenas da boca para fora, primeiro, salva a si mesmo e a seus filhos. Se der tempo, sua tropa. A população? Como ele mesmo disse: “todos nós iremos morrer um dia”.

Uma crise institucional sem precedentes entre as cúpulas dos Poderes Executivo e Judiciário ocorre no exato momento em que o Brasil se torna o epicentro global de uma crise sanitária. Não se sabe ainda quais as consequências disso para os ministros do Supremo Tribunal Federal e para o Presidência da República e seus assessores, mas invariavelmente o resultado disso será mais mortes da população mais pobre.

O presidente deve manter a aposta em seu comportamento de enfrentamento amparado pela aprovação de um terço da população, como mostra a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (27).

Apesar da rejeição a ele ter subido de 38%, em 27 de abril, para 43%, a somatória de ótimo e bom segue estável, a 33% – mesmo número do levantamento anterior. Ou seja, se o vídeo da polêmica reunião ministerial desagradou um naco da população, foi uma live premium para seus seguidores como analisei aqui após sua divulgação.

No breve pronunciamento que fez esta manhã, o assunto não eram os 25.598 mortos e os 411.821 infectados – números oficiais, uma vez que levantamento da Universidade Federal de Pelotas apontou que as grandes cidades podem ter sete vezes mais casos do que os registrados. Mas uma ameaça direta ao STF e à democracia.

“As coisas têm limite. Ontem foi o último dia e peço a Deus que ilumine as poucas pessoas que ousam se julgar mais poderosas que outros que se coloquem no seu devido lugar, que respeitamos. Acabou, porra!”, afirmou em transmissão da CNN Brasil. Também afirmou que “ordens absurdas não se cumprem”.

Ele se referia à operação da Polícia Federal, realizada nesta quarta (27), por ordem do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, contra seus aliados que fariam parte de um sistema de difusão de ódio e desinformação com objetivos políticos.

A investigação tem potencial de chegar ao financiamento de sua campanha em 2018 e aos seus filhos, principalmente o vereador Carlos Bolsonaro, apontado como mentor do “gabinete do ódio”.

A defesa da independência entre poderes por Bolsonaro é contraditória com seu próprio discurso. Um dos pressupostos da República é que toda vez que o presidente ultrapassa os limites que lhe confere a Constituição, suas ações precisam ser contidas, anuladas, investigadas pelos outros poderes.

O chefe do Executivo pode muito, mas não tudo. Infelizmente, ele acha que sim. Isso faz com que, de um lado, peite a ordem democrática e, do outro, coloque em risco a saúde da população.

Acabou, porra! Olha o nível!

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