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Aliança de Edir Macedo com Bolsonaro envolve presidência da Câmara, cargos no governo e perdão de dívidas às igrejas

18/05/2020

(São Paulo – SP, 01/09/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro é recebido pelo Pastor Edir Macedo durante visita ao Templo de Salomão.Foto: Alan Santos/PR

Da Agência Pública

Presidente impulsiona nos bastidores o nome de Marcos Pereira, homem de confiança de Edir Macedo, para a sucessão de Rodrigo Maia.

O líder da Igreja Universal, Edir Macedo, e o presidente Jair Bolsonaro desejam ver o bispo Marcos Pereira, deputado e presidente do partido Republicanos, como sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados em fevereiro de 2021.

A informação foi divulgada por ex-membros da igreja em vídeos nas redes sociais, e os rumores de que o bispo é um forte candidato foi confirmada por parlamentares entrevistados pela reportagem da Agência Pública.

Caso chegue ao posto, Pereira seria o segundo nome na linha de sucessão presidencial, logo depois do vice-presidente da República. O presidente da Câmara é o responsável, por exemplo, pela aceitação ou não de um pedido de impeachment de Bolsonaro.

A bancada evangélica é tida como a maior avalista de Bolsonaro hoje no Congresso e, por isso, a candidatura de Pereira estaria sendo impulsionada nos bastidores pelo presidente da República, afirmam parlamentares entrevistados. Marcos Pereira é presidente do Republicanos (ex-PRB), o braço político da igreja de Edir Macedo e é atualmente o vice-presidente da Câmara dos Deputados. Além disso, comanda uma bancada de 30 deputados do partido ligado à Universal – a maioria bispos e pastores ou artistas e radialistas ligados à TV Record.

Ex-ministro da Indústria e Comércio no governo Michel Temer, Pereira é um dos expoentes do Centrão. Para conquistar a presidência da Casa, Pereira terá de disputar espaços com um outro importante nome do Centrão, o deputado Arthur Lira (PP-AL), que também tem se aproximado de Bolsonaro. Já o nome preferido de Maia para sucedê-lo seria o líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), segundo se comenta nos bastidores.

Parlamentares da oposição ouvidos pela reportagem consideram “prematuro” o lançamento da candidatura de Marcos Pereira. Mas o bispo demonstrou seu prestígio nas últimas semanas. Conseguiu a indicação de Tiago Queiroz para comandar a Secretaria Nacional de Mobilidade, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. No ato da nomeação, na quinta-feira 7 de maio, era o bispo Pereira quem aparecia nas fotos, na imprensa, cumprimentando Bolsonaro – e não o novo secretário.

Tiago Queiroz foi diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde na gestão do ministro Ricardo Barros (PP), durante o governo Michel Temer. Em dezembro de 2018, o Ministério Público Federal moveu ação contra o então ministro da Saúde por supostas irregularidades na compra de medicamentos e contratação de empresa fornecedora e Queiroz, além de outros dirigentes do órgão, teve o seu nome envolvido no caso.

Numa postagem no Twitter, Marcos Pereira disse não ter tratado com o presidente da República de composições no governo. Mas fez a ressalva: “Ainda que fosse, e se em algum momento acontecer, não seria incoerente, uma vez que apoiamos Jair Bolsonaro, e no início de sua gestão eu disse que nossa pauta convergia em 80%. O Republicanos segue coerente”.

Nota da Redação:

O que Bolsonaro está preparando nos porões do Palácio do Planalto é uma autocracia fundamentalista-militar centrada em sua triste figura, com pinceladas de autoritarismo arrogante e prepotente.

Falta muito pouco para as suas milícias atacarem a bala os opositores ou supostos opositores ao regime, como tem sido feito com a imprensa e representantes do pessoal médico, que pedia mais equipamentos de proteção na praça dos Três Poderes.

Bolsonaro tem testado à exaustão os limites desse autoritarismo, recuando descaradamente quando passa dos limites. A experiência lhe trará os parâmetros do golpe, com vistas ao continuísmo e à perpetuação no poder.

Teremos em breve um aiotolá, um chavista empedernido, que, face às dificuldades extremas da crise sanitária e da crise econômica, assuma poderes não previstos na Constituição.

Vimos até que, para isso, se alia à podridão da velha política. Se eleger o presidente da Câmara, terá dois poderes para manipular, esmagando a Justiça. Aí, saberemos para que tipo de predador insaciável, canis lupus, estamos alcançando os restos de carne de nossa dispensa democrata.

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