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A Porto Alegre do final dos anos sessenta e as maravilhas que não voltam mais.

30/03/2020

 

Estava revendo esse vídeo e cheguei a conclusão que o Coronga Vírus pode me levar. Ouvi Jamelão cantando “Vingança” no “Chão de Estrelas”, encostado na parede do palquinho, com um uisquinho cow-boy na mão.

E mais, suprema glória, ouvi o autor, que cantava muito baixinho, no Adelaide’s Bar, na Marechal Floriano, um buteco que não passava de 10 mesas. E, glória eterna, Lupicinio estava sentado na minha mesa preferida, a meu convite, para uma entrevista pra Zero Hora.

Adelaide Dias, uma linda morena de longos cabelos pretos, dona do barzinho, e depois do “Chão de Estrelas”, era minha amiga e curtimos, durante anos, uma tórrida e platônica paixão.

Porto Alegre então era uma deliciosa capital com bondes, ônibus elétricos, ruas de paralelepípedos e pouco mais de 600 mil habitantes. E bancas de jornais onde se comprava os jornais do dia da Capital, o Estadão, o Jornal do Brasil e o insubstituível Pasquim.

Além de Lupicínio, podia-se conversar com Alcides Gonçalves, autor, junto com Lupicínio, de “Cadeira Vazia”, ir a peças no Teatro Leopoldina e no Teatro São Pedro e comer, no Parque da Redenção, o cachorro-quente do  Passaporte para o Inferno.

No rabo da madrugada, se podia fazer excursões eróticas ao “Dragão Verde”, mais conhecido como “Bicho Verde” ou ao Harém, ambas da minha amiga Marion, onde as garrafas de uísque nacional ou escocês eram esvaziadas com uma velocidade astronômica. E onde se namorava, de mão dada, e ainda levava a namorada em casa, nos flamantes chevettes e passats, os carrões da época.

Como dizia um grande amigo e companheiro de noitadas, ao assentir que o garçom servisse uma nova dose, já completamente enxovalhado pelos éteres de Baco: “Companheiro, não jogo, não bebo e não sou dado a mulheres de vida fácil”. Isso tudo agarrado a uma morena de fechar o comércio.

Parodiando Neruda, diria, “confesso que vivi”, portanto, que venha o Coronga.

Uma mesa com o poeta Luiz de Miranda e os artistas plásticos Henrique Fuhro e Léo Dexheimer. Ao fundo, no minúsculo caixa, Adelaide comandava a festa. As fotos são do marchand Renato Rosa. 

Lupi e seus músicos no Adelaide’s Bar. Em pé, Adelaide.

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