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Brasil vê 1 milhão de pessoas por ano, desde 2015, cair para abaixo da linha da pobreza.

06/11/2019

Moradoras caminham por rua de terra da comunidade Sol Nascente, em Ceilândia, em plena Capital Federal. Imagem: Lalo de Almeida/Folhapress.

Por Carlos Madeiro, para o UOL

A Síntese de Indicadores Sociais, divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), aponta que, em média, 1 milhão de brasileiros por ano desceu abaixo da linha da pobreza entre 2015 e 2018 —quando 6,5% da população estava classificada como pobre, o maior índice da série, iniciada em 2012.

Para traçar a linha de pobreza, o IBGE usou como parâmetro estudos feitos pelo Banco Mundial.

“Ainda que haja discussões sobre diferentes linhas de corte e como adaptá-las aos padrões de vida e às necessidades de cada país, o valor de US$ 1,90 diário per capita em PPC [Paridade de Poder de Compra] é atualmente o limite para a definição da pobreza global”, diz o estudo.

Percentual de pessoas que vivem com menos de US$ 1,90

2012 – 5,8%

2013 – 5,1%

2014 – 4,5%

2015 – 4,9%

2016 – 5,8%

2017 – 6,4%

2018 – 6,5%

Segundo o IBGE, entre 2012 a 2014, houve redução de 1,3 ponto percentual na proporção de pessoas com rendimento inferior a US$ 1,90 por dia, quando ela chegou ao menor índice: 4,5%.

Em 2015, o percentual começou a subir e, em quatro anos, aumentou de 2 pontos percentuais, até 2018 resultar em 6,5% da população brasileira com rendimento inferior a US$ 1,90.

“Este percentual é equivalente a 13,5 milhões de pessoas, contingente superior à população total de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal”, diz o estudo.

Retrocessos a partir de 2015

O IBGE também demonstra que, em 2018, “no Brasil havia 25,3% da população com rendimentos inferiores a US$ 5,50 (em torno de R$ 22) PPC por dia, ou aproximadamente R$ 420 mensais, o que equivale a cerca de 44% do salário mínimo vigente em 2018”.

Segundo a pesquisa, nesse estrato, entre 2017 e 2018, cerca de 1 milhão de pessoas alcançaram ou superaram o limiar de US$ 5,50 per capita diário.

“Essa mudança se deu principalmente na região Sudeste, onde houve redução de cerca de 700 mil pessoas [nessa faixa].” Assim como na questão da desigualdade, o país começou a ver retrocessos a partir de 2015.

“Para o período analisado, a proporção de pessoas com rendimento abaixo deste valor apresentou queda entre 2012 e 2014, quando registrou o menor nível, 22,8% da população. Segundo esse critério, a partir de 2015, observou-se um crescimento na proporção de pobres até atingir 26% em 2017.

Já em 2018, houve redução de 0,7 ponto percentual nesta proporção em relação ao ano anterior, mas ainda em patamar superior ao de 2014 e atingindo aproximadamente 52,5 milhões de pessoas”, diz o texto.

Nota da Redação:

Não se entende como a população mais abastada, principalmente o empresariado da indústria, do comércio e dos serviços não conseguem compreender que a desigualdade crescente, o aumento da miséria e a exclusão de largas fatias de brasileiros do consumo vai acabar comprometendo os seus próprios negócios.

Ou alguém nega que as verbas da ação social e da geração de emprego e renda volta sempre para fertilizar o mercado de consumo e os próprios cofres do Governo?

O solapamento dos alicerces da base da pirâmide social, mais cedo ou mais tarde, vai comprometer o seu vértice superior e isso é algo inexorável.

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