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“Grande Capital”, com Glenn, condena Bolsonaro e Moro à morte política

01/07/2019

Um artigo inquietante de Alfredo Herkenhoff*

Um setor do capitalismo mais voraz estaria usando Glenn para derrubar pela ordem Moro, DD, Guedes, Bolsonaro, millicianada, Centrão e o escambau. Mesmo Mourão e Rodrigo Maia não têm garantia de substituição.

Um setor poderosíssimo nesse esquema entende que a prioridade é impedir a reeleição de Trump; e nesta hipótese, derrubar a farsa da Lava Jato e a óbvia eleitoral de 2018 seriam só o cartão de entrada para o problema geopolítico global. A especulação aqui nem vai tocar na suspeita de que a parte mais poderosa desse voraz capitalismo mundial exige Lula de volta.

Mas vamos aos detalhes e às etapas dessa crise institucional que está só começando pelo Brasil e deve levar Moro e DD à prisão como mero início de uma campanha mundial de banqueiros contra Donald Trump.

Glenn está fuzilando jornalisticamente os péssimos jornalistas brasileiros que não estão entendendo nem os seus patrões. Os donos do oligopólio vão se livrar rapidinho desses meros vassalos de redação ainda cascateando na Veja, Folha, Estadão. Band etc; quem está derrubando Moro, DD, Bolsonaro e com isso tentando derrotar Trump é um setor do capitalismo, e não é um setor bonzinho. É briga entre eles dentro e fora do Brasil.

Glenn está numa toada alentada, mas inclemente, implacável. As mensagens são absolutamente autênticas. Pequenos erros na descrição editorial, ou na parte explicativa das reportagens referentes a essa documentação autêntica, provocaram excitações revoltosas por parte de juizes, procuradores e editores de veículos que já pubiclam Glenn e vão demitir esses chefetes de redação. Isso é armadilha de Glenn.

Intercept e Wikileaks são concorrentes entre si, mas as duas plataformas têm dois pontos pétreos em comum: não entregam as fontes e não exibem material apócrifo ou adulterado.

As fontes podem ser honestas ou desonestas, isso é trabalho da polícia, não de jornalistas que precisam considerar o interesse público de documentos relativos a atuações de políticos e servidores.

Exemplos rápidos.

1 – Glenn não entregou a fonte Snowden porque foi alcançado por Snowden que lhe disse: te procurei porque vi que tu é bom, vou ser apanhado pelos serviços de inteligência com alguma brevidade. Eu poderia até tentar permanecer anônimo por um tempo maior, mas eu com isso infligiria dor em amigos e parentes, alguns seriam até torturados.

Dois filmes retratam esse momento do jornalismo mundial. Um documentário, que ganhou Oscar, e um narrativo com atores desempenhando os papeis de Glenn e Snowden. Ambos os filmes são ótimos e são o terror de jornalistas brasileiros achando que dá pra falar mal de Glenn como se este profissional fosse um falsificador de documentos e provas sobre como fazem criminosamente os denunciados pelo Intercept. O escândalo está jogando a Lava Jato na lama podre de onde veio.

2 – A principal fonte do caso Watergate se manteve no anonimato. Caiu Nixon, os jornalistas foram premiados, rolou filme Todos os Homens do Presidente e tal, os anos de passaram, morreu Nixon e morreu a fonte. Só ficamos sabendo quem era aquela fonte, que tinha o apelido de Garganta Profunda, o Deep Throat, aquele cara que numa garagem em Washington mandava o repórter do Washington Post seguir o dinheiro, follow the money, enfim, ficamos sabendo só há poucos anos que a fonte era um caso pessoal, era um ressentido com o governo Nixon, a fonte pensava que ia ser nomeada chefe do FBI e não foi.

3 – As fontes da orcrim, organização criminosa de Curitiba, podem ser plural ou uma única. Pela quantidade avantajada de documentação em mãos do Glenn, não parece ser a tal fonte um caso pessoal, isto é, um procurador, um juiz ou delegado federal saindo dos grupos de troca de mensagens e capturando toda a fofocagem em que se desnuda crime de toga organizada. Parece ser trabalho de equipe, portanto, de fontes no plural. Esta hipótese abre caminho para se especular que o time vazador pode ser dos States, da Rússia, da China, do Reino Unido etc. Pode ser também trabalho formiguinha no mocó de um grupo de legalistas dentro da PF, ou da PGR ou da própria magistratura. Esta última hipótese é a menos provável. Juízes não são dados a investigar em países com muita corrupção endêmica, são chegados a manipular corruptos e a serem manipulados por corruptos.

4 – A fonte não seria nenhuma das várias possibilidades dentro dos três itens acima. A fonte poderia ser individual ou de equipe, mas ainda assim permanecendo fora das classificações até aqui elencadas.

Individual seria uma fonte high tech, um cracaço como Snowden ou como um hacker, ou um cracker, alguém que sozinho rompe, clona e divulga. Snowden nunca buscou dinheiro, vazou os serviços de inteligência por motivações morais, espirituais, norte-americanas. Merece Nobel da Paz.

O Julian Assange, australiano, também merece Nobel da Paz, ele não inventou a plataforma para ganhar dinheiro. Mas um expert agindo solitariamente poderia ser a fonte de Glenn, sem cobrar grana de Glenn. Poderia cobrar de outrem para vazar ao ínclito Glenn Prêmio Pulitzer.

A fonte nesta quarta especulação escapando das três primeiras, também pode ser uma equipe, um time, uma agência, sem que tal coletivo ou grupo esteja agindo por dinheiro.

Ou seja, como o solitário Snowden, existe a possibilidade de a fonte ser motivada por idealismo moral, ideológico ou religioso, sem grana de um grupo. Resumindo pra encerrar: uma pequena equipe de hackers e/ou crackers pode ser integrada por bambas anônimos de países com muita gente bamba em matemática e TI, regiões como Índia, Moscou, Turquia, Irã e até Peru… Sim, há grandes cientistas hoje sem convergência topográfica, etnográfica ou mesmo religiosa.

A fonte está em aberto. O que se fecha é o mico de querer denunciar a documentação em mãos de Glenn como adulterada e ou criminosa. Repito o começo pra fechar.

Glenn está querendo isso mesmo, que os denunciados pela documentação e seus últimos jornalistas amigos em veículos já estampando o lance do Intercept, que eles insistam em querer denunciar a autenticidade como produtos falsificados e de origem criminosa.

Esses errinhos de descrição da reportagem do Intercept parecem sim armadilhas para enredar os corruptos da Lava Jato com as provas cabais que logo virão em forma de foto, vídeos e áudios. Virão lacradoras. Veremos prisões em flagrante decretadas pelo Supremo.

Glenn não faz jornalismo pra discutir com Merval, Zé Neumanne, Antagonista, Denise Frossard, Carvalhosa e outros pequenos na imprensa e judicatura, Glenn veio pra finalizar.

Mas não tem pressa. Ele está solapando os alicerces da mentira global. São os que votaram em Bolsonaro e chamaram Moro de Herói que vão exigir a queda destes dois, e não deve demorar, coisa de um ano ou menos…

Minha hipótese favorita: a fonte do Glenn Greenwald ou as fontes estão com o capitalismo derrotado por Donald Trump. São os banqueiros que temem que Trump esteja ameaçando não Putin, Kameney ou Xi Jinping.

Temem que Trump e Bolsonaro sejam uma ameaça não apenas ao próprio capitalismo rentista, este péssimo neoliberalismo trazendo miséria e transtornos crescentes ao mundo, quem está detonando Moro, Deltan Dallagnol, Bolsonaro e possivelmente Trump é um segmento do capitalismo americano e mesmo multinacional temendo que Trump e Bolsonaro, como Hitler, Mussolini e o imperador em Tóquio estejam ameaçando a própria existência ou sobrevivência da Humanidade.

Acabou aquela supremacia tecnológica e militar dos EUA do Pós Guerra. As armas nucleares de então garantiram um equilíbrio de Guerra Fria. Finda esta, os americanos não levam nada nas guerras quentes. Ferraram Saddan, ferraram Kadhafy e fizeram a lambança da guerra civil na Síria.

Mas não levaram nada do petróleo e nem dos pontos estratégicos que estes três países possuem. Perderam tudo na Ucrânia. Os europeus ocidentais estão ainda obedientes a Washington, mas irritados com Trump.

Trump foi impedido de bombardear o Irã dez dias atrás porque foi informado na última hora que perderia ali não apenas uma guerra quente, perderia a reeleição no ano que vem.

A única região do mundo em que os Estados Unidos, sem guerra fria, sem guerra quente, estão vencendo é a América do Sul. Já pegaram ou estão pegando quase tudo da Colômbia, da Argentina, do Equador etc.

Pegam o Brasil sonhando com a Venezuela. E pegam na maciota da chamada Guerra Híbrida porque no Brasil não há mais forças patrióticas ou nacionalistas entre os marajás no topo das corporações de servidores que conformam sistema de justiça com MP, os chefes do Poder Executivo, os altos oficiais das Forças Armadas e a elite burguesa, entre os poucos donos do oligopólio midiático do mainstream e os principais rentistas, ou seja, os banqueiros.

Nessa especulação de que são capitalistas internacionais que estão derrubando Moro, DD, Guedes, Bolsonaro, seus filhotes, milicianos e devotos temos de considerar que a sociedade dos maiores bilionários norte-americanos também está polarizada.

Triste é constatar que não parece haver ar democrático nas Forças Armadas, parece haver uma geração perdida de altos oficiais. Triste momento antinacional.

*Jornalista formado na PUC-Rio em 76. Morou dois anos em Roma. Trabalhou 20 anos no JB em várias funções, de secretário a colunista do Caderno B. Colaborou com o semanário Opinião nos anos 70. Organizou O Livro do Jobi, em 2002. Co-produziu o CD O Tom do Leblon com show na Plataforma, em 2003. Co-produziu o CD Lapa-Leblon, em 2004. Editou, no JB, em 2003, a publicação (lombada dura) dos 50 anos da Petrobras. Foi o pesquisador iconográfico do livro O Brasil e Os Holandeses, organizado por Paulo Herkenhoff. Produziu e editou, no JB, o Caderno Paralelos de Arte sobre a Colección Cisneros. É autor da entrevista Conversa entre Antonio Dias e Helio Oiticica, em 1981. Assinou reportagem de capa da Revista Sistema da Fecomércio-RJ, em 2005, sobre a Coleção Roberto Marinho. Foi o mediador, em 2006 e 2007, do Arquivo Cultural, série de oito espetáculos com patrocínio da Petrobras no pátio do Arquivo Nacional, com mesa-redonda reunindo personalidades da cultura e da MPB. De fevereiro a novembro de 2008, editou o jornal diário, impresso, Correio da Baixada, do Grupo Monitor Mercantil. Lançou, em fins de fevereiro de 2009, o blogue-jornal Correio da Lapa, com edições diárias desde então.

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