Skip to content

Marina Sabino não vence o “The Taste Brasil” mas firma-se como uma das maiores chefs do País

30/06/2018

Não é nenhum exagero dizer que Barreiras e uma parte considerável da região oeste da Bahia parou na noite da quinta-feira, 28, para assistir à final do The Taste Brasil, programa de culinária do canal de tevê por assinatura GNT. Com os olhos vidrados na televisão, familiares, amigos, clientes, simpatizantes e até desconhecidos embarcaram na torcida pela chef Marina Sabino.

 

Pouco antes do episódio ir ao ar mensagens de incentivo e apoio tomaram conta dos perfis da finalista nas redes sociais. Via Facebook, o amigo João Pedro se dizia na torcida em relação à conquista da amiga. Já o irmão, João Sabino, comparou a expectativa pelo episódio decisivo à final de uma Copa do Mundo.

A trajetória até a finalíssima, aliás, é digna do maior evento esportivo do mundo. Tendo aproximadamente 11 mil inscritos e 500 pré-selecionados, 30 tiveram oportunidade de participar do episódio que definiu os integrantes da quarta temporada do programa que reúne, nada mais, nada menos, que quatro dos mais cultuados chefs em atividade no país, a saber, Helena Rizzo, Felipe Bronze, André Mifano e o francês Claude Troigois.

No episódio que consagrou os 16 participantes da temporada, Marina resolveu arriscar, optando por um ingrediente pouco convencional para sua colher. “Eu sabia do risco, mas ao mesmo tempo, sabia que se passasse aquela eliminatória com um prato a base de tripa, teria mais liberdade para criar e apresentar pratos com a minha identidade e autoria, tanto dentro do programa, quanto no meu restaurante”, explica.

A atípica colher lhe rendeu um lugar no time de André Mifano e, posteriormente, a chance de disputar a final do programa. “No primeiro dia me assustei um pouco com o jeito difícil do André, mas, como trabalhei em cruzeiro aprendi a aguentar pancada”, diz, revelando que muito do seu sucesso na competição tem a ver com seu mentor. “No final, percebi que somos muito parecidos, a ponto de desenvolvermos uma relação de amizade fora do programa. Continuamos nos falando, ele me ajuda muito, é uma pessoa muito verdadeira”, continua.

Apesar da empatia dos dois, a grande inspiração de Marina antes de conquistar um lugar no time de André atendia pelo nome de outro chef, o francês Claude Troigois. “Eu fui para o programa querendo que o Claude me escolhesse. Minha base culinária é francesa, o Claude sempre foi minha inspiração. Desde que abri o restaurante fiz várias releituras de pratos dele. Um dos meus mentores na gastronomia é outro chefe francês, Laurent Suaudeau que é amigo do Claude. Isso, de certa forma, ajudou a criar uma identificação com a com a cozinha francesa e, consequentemente, dos dois chefs franceses”, explica.

FAMÍLIA

Nascida e criada em Barreiras, Marina se mudou para São Paulo na adolescência. Lá, cresceu e, posteriormente, graduou-se em Engenharia de Alimentos. Fez pós-graduação no curso Cozinheiro Chef Internacional do SENAI, acumulou experiência trabalhando em buffet’s de eventos e restaurantes da capital paulista. Passou seis meses servindo doces num cruzeiro italiano pela Europa e depois de 15 anos, retornou à terra natal, onde preparou terreno para iniciar o próprio negócio, o Casa Marina Patisserie e Bistrô, em 2016.

 

“O restaurante é um projeto familiar, meus pais fazem parte disso, essa vitória é deles também. Eles sempre me incentivaram. Sempre digo que o bistrô é o cartão de visita da aposentadoria do meu pai, ele está aqui todo dia recebendo as pessoas, minha mãe faz toda parte administrativa. Eu me preocupo só em cozinhar”, conta. Para ela, quando há oportunidade de se ter um negócio próprio, de empreender, isso faz tudo único e especial. “Quando você consegue fazer isso em família é maravilhoso”, aponta.

O gosto pela cozinha, segundo a mãe, Teresa, é genético. A avó paterna foi uma famosa banqueteira em Uberaba, interior de Minas Gerais. O pai, Ernesto, aprendeu a cozinhar no período que morou na África do Sul. Além disso, dos dois lados da família sempre se gostou muito de se promover confraternizações em volta da mesa, sempre, claro, regadas à boa comida e bom papo. Teresa, que desde o início da participação de Marina no The Taste Brasil, povoou seu perfil particular no Facebook com mensagens de incentivo para a filha, conta que a família é só orgulho.

“Estamos muito orgulhosos e felizes por ela ter encontrado o que realmente gosta de fazer e, se depender de nós, faremos de tudo para que ela aproveite as oportunidades e seja feliz fazendo o que gosta. Hoje, graças as redes sociais, mesmo com familiares espalhados por várias regiões do país, como São Paulo, Minas Gerais e Brasília, pudemos estar em contato praticamente em tempo real”, explica.

REPERCUSSÃO

Se existe uma lição a se aprender na vida é que algumas vitórias não são acompanhadas por um troféu, uma medalha ou um recorde. Vencer não significa, necessariamente, derrotar adversários ou inimigos, mas, antes disso, superar desafios, conquistando o respeito e a admiração de pessoas que muitas vezes, não se terá oportunidade de retribuir com mais que uma palavra ou duas de agradecimento, um sorriso ou, com alguma sorte, um abraço. Vitórias não são fruto do acaso. São construídas à custa de muito esforço, algumas pitadas de talento e, óbvio, laboro constante.

Até o meio-dia da sexta-feira, 29, dia seguinte à exibição do último episódio, Marina conta ter recebido mais de 500 mensagens, sendo cerca de 300, vindas de pessoas que não conhecia, mas que diziam possuir alguma identificação com ela. “A repercussão tem sido ótima, independente do resultado. Estou muito feliz com esse retorno que não é só meu ou do restaurante, mas também de Barreiras e da Bahia. No final, o título é só um detalhe”.

Logo depois de o último episódio ir ao ar, em post nos seus perfis no Instagram e Facebook, de uma tacada só, Marina agradeceu pelo apoio recebido, declarou seu carinho pela cidade natal e principalmente pelo que ela mesma define como o que mais ama na vida: cozinhar.

“Quem realmente me conhece sabe que não fui lá para aparecer na tevê. Eu queria mesmo era orgulhar minha família. Queria ganhar credibilidade e autoconfiança. Nunca quis passar por essa vida com o sentimento de estar apenas vivendo. Eu quero V-I-V-E-R! Quero sentir o máximo de sentimentos que eu puder, eu quero rir em todas as oportunidades, quero ser feliz aqui no cantinho da Bahia, mas quero dar o MELHOR de mim sempre! Sem comodismo, buscando crescimento profissional e pessoal. Foi para isso que eu fui! Ganhei 15 amigos e tive um crescimento pessoal e humano gigante”.

Até a publicação dessa reportagem o post superava as mil curtidas, com mais de trezentos comentários somando ambas redes sociais, todos felicitando Marina pelo resultado. Pela conquista e pela chance que ela proporcionou a todos — mesmo não se sagrando campeã do The Taste Brasil — de conhecer sua paixão pela arte de cozinhar.

BRILHO

No dia seguinte ao término das gravações, Marina enviou mensagem para seu mentor desculpando-se por não ter conseguido o troféu de melhor colher da temporada. Alegou nervosismo, lamentou não ter retribuído com a vitória para o time André todo aprendizado obtido, afinal, ele merecia aquela conquista. A resposta veio a seguir, direta e com a assinatura do chef, acostumado em não ter papas na língua:

— Cala a boca, Marina! Você veio para brilhar e essa temporada já é sua.

Texto por Anton Roos para o Blog da Immagine.

Fotos: Youtube/Instagram 

No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: