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O milho agregando valores na produção de farelo, etanol e óleo

13/01/2018

Por Glauber Silveira, no blog Direto ao Ponto.

Com a inauguração da FS Bioenergia, usina de grande porte que começa a produzir etanol exclusivamente a partir do milho, sendo 240 milhões de litros anuais, e com a presença do presidente Temer na inauguração o etanol de milho brasileiro de uma vez por todas passa a ter uma visibilidade nacional e internacional. O Brasil produz 28,7 bilhões de litros de etanol de cana, enquanto os Estados Unidos produzem 58 bilhões de litros de etanol de milho.

O Brasil que era o grande produtor do combustível renovável, perdeu o posto para os norte-americanos, nossa produção de etanol ficou estagnada devido a política de combustíveis brasileira, com isto ao invés de estarmos produzindo mais etanol e estarmos abastecendo nossa frota de carros flex. com etanol, estamos importando cada ano mais gasolina, neste ano já serão mais de 8 bilhões de litros, em 2023 segundo o Ministério de Minas e Energia serão 26 bilhões de litros, e já importamos mais de 1 bilhão de litros de etanol dos EUA.

Com tudo isto a premissa que nosso etanol de cana era mais competitivo que o de milho, deixou de ser uma realidade, o milho a um valor muito competitivo traz uma grande oportunidade ao Brasil que passa a produzir de forma significativa etanol de milho desde 2015, o MT que em 2014 produziu 1,13 bilhões de litros de etanol em 2016 já passa para 1,32 bilhões de litros sendo 132 milhões de etanol de milho.

A Usimat empresa localizada em campos de Júlio-MT primeira empresa a produzir etanol de milho, já produz hoje o dobro de etanol de milho do que o de cana, o que demonstra a grande viabilidade da produção, Mato Grosso em 2017 deve fechar o ano com uma produção de 327 milhões de litros de etanol de milho e em 2018 deve alcançar o montante de 600 milhões de litros com as usinas já em operação que são 3 usinas flex. (Usinas que operam com cana e milho), sendo a Usimat, Libra e Porto seguro, e uma exclusiva de milho que é a FS Bioenergia.

Mato Grosso tem 9 usinas e etanol de cana, das quais 3 já são flex. E outras 3 já estão com projetos para se tornarem flex., com a viabilidade inquestionável das usinas flex. Devido ao baixo investimento e devido a sobra de biomassa da cana em breve todas as usinas devem se tornar flex. ou integradas (usina de milho construída ao lado da de cana onde a caldeira-vapor é compartilhado) o que fará o MT dar um salto na produção de etanol de milho.

O grande questionamento vem da demanda, uma vez que o MT já é um exportador de etanol, especialistas dizem que teremos uma demanda crescente de combustíveis com a retomada do crescimento do Brasil e também que parte desta importação de gasolina que em 2020 já chega a 17 bilhões de litros pode ser substituída por etanol hidratado, ou seja mercado existe, afinal estamos importando mais de 1 bilhão de litros de etanol dos EUA, precisamos ser competitivos, o que nos prejudica é a nossa logística e também a política de distribuição que causa perda de competitividade.

Já está comprovado que no principal período de férias do brasileiro, que é de dezembro a março estamos na entressafra do etanol de cana, com isto o etanol sobe muito de preço o que faz  o consumidor optar por gasolina, estudos demonstram que com isto mesmo quando o etanol tem seu preço competitivo o consumidor leva 45 dias em média para começar a abastecer com etanol em um mercado que é hoje em torno de 35 bilhões de litros de gasolina se tivermos etanol o ano todo competitivo com a entrada do etanol de milho, podemos ter o mercado de etanol ampliado no médio prazo em 10 bilhões de litros.

Milho de sobra temos, nesta safra teremos que exportar 40 milhões de toneladas, para se ter uma ideia a produção de MT deve ser em torno de 30 milhões de toneladas e consumimos apenas 4,4, milhões de toneladas, se transformássemos 10 milhões de toneladas teríamos uma produção de 4 bilhões de litros de etanol, isto seria apenas a metade da gasolina que importamos neste ano.

O etanol de milho tem uma contribuição econômica e social muito grande, uma vez que ao invés de exportar o grão in natura ao se transformar em etanol, DDGS (farelo fermentado que se produz na produção do etanol) e o óleo de milho, temos para cada 1 real de milho a transformação em 3,4 reais, sendo assim a oportunidade está ai, eu acredito que o Brasil irá ser um grande produtor de etanol de milho, porque não deixar de importar gasolina e exportar milho, afinal a nossa aptidão para produzir este cereal é muito grande.

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