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A crise hídrica e a inaptidão do agronegócio para tratar com os problemas sócio-políticos da região.

05/11/2017

Nada justifica a invasão e depredação de uma propriedade particular. Nada mesmo. Principalmente com o cometimento de tantos e tão nefastos prejuízos a uma empresa privada dedicada a produzir alimentos.

Mas se por um lado, cometeu-se de fato um crime, é preciso ressaltar a inaptidão emblemática do agronegócio para lidar com as comunidades nativas, principalmente diante da ameaçadora crise hídrica que atinge o Nordeste brasileiro, depois de seis anos de secas e de baixa precipitação.

A agricultura custa caro em termos de recursos hídricos naturais. Quase 70% da água doce disponível no País (com exceção da região amazônica) é utilizada na irrigação.

 As manifestações de entidades ligadas ao grande agronegócio são permeadas de “repúdios” e ameaças ao levante popular que invadiu duas fazendas do grupo Igarashi, em Correntina. Mas não se trata esse tipo de ação simplesmente com mais violência.

A hora é de chamar os líderes comunitários (é melhor adversários conhecidos do que desconhecidos) em audiência pública e analisar suas pautas e bandeiras mais relevantes.

Notas ponteadas de ameaças nada acrescentam ao problema. Só rompe ainda mais o tecido social, frágil, sobre o qual foi estabelecido o conflito.

É importante ressaltar que hoje já não se usa a irrigação em cultivos de grãos durante a época mais seca do ano – de agosto a outubro. A irrigação é usada apenas para salvação e para a realização de uma safrinha no final do ciclo das águas. Os equipamentos depredados nas duas fazendas Igarashi não estavam, na sua quase totalidade, em operação.

No entanto, o rio Arrojado vem sendo maltratado desde as suas nascentes, na BR 020, em Posse, onde um empresário transformou a vereda das suas cabeceiras em um balneário. Vários afluentes do rio já secaram, inclusive com tentativas de construção de canais e falta de preservação de suas margens por agropecuaristas que não pertencem ao grande agronegócio.

Basta um ano de boas chuvas e tudo estará resolvido. Mas o precedente está aberto e agora urge a necessidade de linimentos, de uma boa conversa, não do aguçamento do confronto.

Basta ver os vídeos antigos da Rede Globo, de mais de 10 anos. O problema já existia. Estava latente.

 

 

 

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  1. César Lima permalink
    05/11/2017 20:20

    Desmatar é uma coisa. Todos esses criminosos que invadiram a propriedade alheira também desmatam e por causa deles também o rio está morrendo. Vamos parar de hipocrisia. A diferença é que eles desmatam sem licença ambiental e produzem pouco ou nada na terra que desmatam. Esse empreendimento tinha licença ambiental e apesar de desmatarem também essa terra que foi desmatada iria produzir de forma eficaz evitando que novas áreas fossem desmatadas. Uma hectare irrigada produz vinte vezes mais que uma mesma hectare que esses criminosos também desmataram. Quer dizer, para se produzir alimentos muito menos novas áreas de vegetação nativa precisaria ser desmatada com o emprego da irrigação e de técnicas modernas de cultivo.

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