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Câmara Setorial do Algodão prevê crescimento de 17% na área plantada com algodão.

18/07/2017

Para a Abrapa, o Brasil pode dobrar a área plantada em cinco anos, para atender à demanda do mercado asiático, se os preços forem favoráveis.

 

Depois de sofrer uma retração de 4% na safra 2016/17, em relação à 2015/16, a área plantada com algodão no Brasil pode crescer em torno de 17% em 2017/18.

Já a produção, se as estimativas se confirmarem, pode ser de 1,8 milhão de toneladas, ante 1,6 milhão que o país espera alcançar na colheita em curso.

As previsões são parte dos dados apresentados pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), durante a reunião realizada no último sábado (15/07), como parte da programação do XVI Anea Cotton Dinner, evento realizado pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), que reuniu em torno de 500 representantes da cadeia produtiva da fibra, no Malai Manso Resort, no estado do Mato Grosso, entre os dias 14 e 16 de julho.

A Câmara é presidida pela Associação Brasileira do Produtores de Algodão (Abrapa) que, no evento da Anea, encerrou a agenda e celebrou o êxito da Missão Compradores 2017. A expedição é promovida anualmente pela entidade desde 2015, e, nesta edição, percorreu, com uma comitiva de industriais e traders provenientes de sete países, sobretudo asiáticos, os três maiores estados produtores de algodão do país. Pela posição no ranking da produção, Mato Grosso, Bahia e Goiás.

De acordo com o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, embora otimistas tanto acerca da safra em curso, quanto da próxima, qualquer previsão de aumento só se sustenta em um contexto de preços favoráveis. Hoje, o algodão que está sendo colhido é vendido, em média, a US$0,725 por libra-peso. Os contratos para 2017/18 têm valor semelhante. “Os custos de produção de algodão são muito altos. Por isso, se o preço não for remunerador, os produtores optam por migrar para soja e milho, culturas de menor custo por hectare e boa liquidez”, afirma. O aumento na área plantada, previsto para a próxima safra, é resultado, principalmente, da volta à normalidade climática, depois de alguns anos de seca em estados de produção expressiva, como a Bahia, sob a influência do fenômeno meteorológico el nino. “Se o tempo continuar bom, e os preços forem atrativos, a tendência é plantar mais”, diz.

Avanço sustentável

Se dependesse da sinalização dos integrantes da Missão Compradores 2017, o Brasil poderia dobrar a área plantada que eles garantiriam a compra da produção.

Arlindo Moura destacou que o grupo de compradores estrangeiros demonstrou grande apetite por maior volume de fibra produzida no Brasil. Para os industriais e traders, esse incremento seria uma segurança a mais nas negociações, já que a regularidade na oferta é crucial na concorrência com o algodão de outros países, que compõem o blend utilizado pela indústria asiática. “Dobrar a área não é problema. Temos tecnologia para isso, sabemos fazer, e poderíamos, eventualmente avançar sobre a área de milho. Mas nós, produtores, temos consciência de que alcançar, de modo sustentável, essa marca exige tempo e planejamento. Acredito que seja possível, em cinco anos, aproximadamente”, projeta o presidente da Abrapa.

Durante a reunião da Câmara Setorial na Anea, o presidente da Abit, Fernando Pimentel, afirmou que a indústria têxtil e de confecções brasileira vislumbra um crescimento de aproximadamente 10% no consumo. Pimentel credita a marca ao aquecimento do comércio, gerado pela baixa da inflação, mesmo com a crise econômica.

Constância

Para Marco Antônio Aluísio, presidente da Anea à época do evento, o mercado asiático quer mais algodão brasileiro no blend, o que significa substituir parte da fibra de países como Austrália e Estados Unidos na composição. “Para isso, é preciso garantir a constância. O industrial que fecha um contrato de 500 toneladas de fibra quer ter certeza de que vai contar com esse volume nos 12 meses do ano”, disse, lembrando ainda que o pico da colheita do algodão no Brasil acontece entre julho e outubro, justamente quando cai a oferta dos países do hemisfério Norte. As exportações representam em torno de 50% da safra brasileira.

Em 2017, pela primeira vez, o final da Missão Compradores coincidiu com o Anea Cotton Dinner, o que, segundo Marco Antônio Aluísio, foi muito positivo. “Depois de conhecerem de perto as operações de campo, beneficiamento e indústria da fibra no Brasil, os visitantes tiveram oportunidade de encontrar, a um só tempo, representantes de outros elos da cadeia produtiva, desde instituições bancárias até o mercado consumidor interno. Essa experiência impulsiona o consumo e fortalece a  imagem do Brasil como um player importante”, afirma. Desde ontem (17), Marco Antônio, que é da trading ECOM, assumiu a vice-presidência da Anea, passando o cargo para Henrique Snitcovski, da Dreyfus.

Homenagem

Uma solenidade de homenagem ao assessor especial do Ministério da Agricultura, na gestão do ministro Blairo Maggi, Sérgio De Marco, encerrou a pauta da reunião da Câmara Setorial do Algodão. De Marco, que deixou recentemente o cargo, é cotonicultor, ex-presidente da Abrapa, membro do Conselho Consultivo da entidade,  e presidiu a câmara por dez anos. Ele recebeu o reconhecimento dos membros pela sua histórica atuação na cotonicultura brasileira, com ações que se reverteram em benefícios para o agronegócio do país, em especial, para o algodão. Sérgio De Marco recebeu das mãos do presidente da Abrapa e da Câmara Setorial, Arlindo de Azevedo Moura, uma placa pelo mérito na “construção de uma nova história para o país”, que agradecia o tempo dedicado pelo assessor especial à vida pública e às questões ligadas ao agro.

“Fui conhecer, à essa altura da vida, o serviço público. Começávamos o dia com o ministro Blairo Maggi às oito da manhã, tratando de café, cacau, biodiesel, fumo e soja. Às oito da noite, ainda estávamos falando de juros, vendas de máquinas agrícolas e, sempre, de algodão”, lembrou De Marco, enfatizando a capacidade e eficiência do ministro Blairo Maggi à frente da pasta. “Somos amigos há 30 anos, mas nunca havíamos tido tanta convivência como agora. Sou testemunha da sua competência e preparo”, disse.

A posição estratégica da Câmara Setorial do Algodão e Derivados também foi ressaltada pelo homenageado. “Posso dizer que nenhuma decisão governamental que impacte o setor algodoeiro acontece sem consulta prévia a essa câmara. E isso se repete nas 39 Câmaras Setoriais do Ministério”, disse Sérgio De Marco, que destacou o estreitamento entre as demandas do setor e as políticas públicas, com a intermediação da Câmara. “E, dentre todas as outras, a Câmara Setorial do Algodão é uma referência”, afirmou.

Dedicação

Sérgio De Marco ressaltou a importância das pessoas que contribuíram, dentro e fora do Governo, para o seu trabalho, e, direta ou indiretamente, para o bem do país. Do Mapa, frisou o papel e a dedicação do coordenador geral de Fibras, Oleaginosas e Borracha, José Maria dos Anjos, do diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento, Sávio Rafael Pereira, e, em especial, do secretário de Política Agrícola, Neri Geller. Da iniciativa privada, Sérgio De Marco ressaltou o trabalho do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, assim como do diretor executivo da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins.

Sobre a aposentadoria, Sérgio De Marco pontuou que não será um retiro decisivo. “Vou dedicar mais tempo à minha família, aos meus quatro netos e à nossa qualidade de vida. Mas estarei sempre disponível para trabalhar, de coração e voluntariamente, pelo algodão”, disse.

Para o presidente da Abrapa, Sérgio De Marco é personagem protagonista na moderna cotonicultura brasileira. “Ele imprimiu sua marca na história como cotonicultor pioneiro, como líder classista e, agora, recentemente, como um servidor público que soube usar seu conhecimento de empresário para contribuir para a desburocratização do setor. Sempre lhe seremos gratos”, concluiu Moura.

 

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