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Governador gaúcho permite expulsão de famílias em temperatura menor que 10 graus

15/06/2017

As tropas de choque da Brigada Militar do Rio Grande do Sul resolveram expulsar 65 famílias que haviam invadido um prédio no Centro de Porto Alegre, no início da noite de ontem, quando a temperatura caía para uma madrugada gelada.

O argumento que a decisão era da Justiça, não elide o fato que o governador Ivo Luís Sartori (PMDB), como governador de todos os gaúchos, assim como o prefeito Nelson Marchezan (PSDB), deveriam ter preparado condições adequadas de alojamento para os desabrigados. Jogar as famílias em um galpão insalubre, sem energia e sem condições de preparar um alimento, é uma desumanidade tão grotesca quanto aquela do prefeito João Dória (PSDB), em São Paulo, espalhando dependentes químicos por toda a cidade. 

Veja relato do Correio do Povo:

A integrante do movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e moradora do Lanceiros Negros, Nana Sanchez, explicou que as famílias haviam sido convidadas e convencidas pelas autoridades a se deslocarem ao Vida Centro Humanístico, na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, no bairro Sarandi, na zona Norte da Capital, mas se surpreenderam com a falta de estrutura do galpão.

Dois caminhões do Governo do Estado foram cedidos para levar pertences | Foto: Fabiano do Amaral

“Nós conseguimos um outro local para as famílias e por enquanto não vamos divulgar. Mas, na madrugada, não deu para ficar no abrigo que o Estado nos forneceu porque não tinha luz, nem água. Era um galpão, o mesmo galpão que colocaram as coisas, botaram as pessoas. Deixamos algumas pessoas cuidando das coisas, mas as crianças, as famílias, não tinham como dormir lá. Frio, frio, frio”, contou a moradora.

Brigada Militar e apoiadores da ocupação entraram em confronto na noite desta quarta | Foto: Mauro Schaefer

A integrante do MLB também contou que apesar da Brigada afirmar que haveria total estrutura para as famílias, não havia nem ao menos colchões no local. Além disso, Nana Sanchez afirmou que a força utilizada pelo policiamento militar foi desmedida.

“O que aconteceu conosco foi uma tortura. Uma tortura psicológica muito grande. Nós, dentro do prédio, passamos muito mal com as bombas de gás que tocaram nas pessoas que estavam fora. Fora não tinha crianças, mas dentro tinha. A operação da Brigada (Militar) foi totalmente desmedida. E o abrigo que nos expuseram era terrível”, recordou.

“Quando eles chegaram, a polícia entrou e conversou com a gente dizendo que o abrigo era bom, que tinha tudo, que tinha cama, e não tinha nada. Não tinha um colchão. Eu estou muito indignada, muito mesmo. (Agora) nós estamos em um local muito tranquilo, com toda a estrutura, com comida. Lá não tinha comida, não tinha fogão”, relatou. Segundo Nana, o episódio não resolveu o problema de moradia para as famílias.

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