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Apicultura amplia renda de produtores rurais no semiárido baiano

19/05/2017

Foto de Bruno Santos / Codesvasf

Mais de 620 famílias desenvolvem a atividade em três municípios do Norte da Bahia; investimentos ultrapassaram R$ 4,4 milhões

Produtores familiares que praticavam apenas a agricultura de subsistência nos municípios de Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, no Norte da Bahia, foram estruturados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com equipamentos e treinamento para desenvolverem a apicultura de maneira sustentável, e assim gerar renda e ter melhores condições de vida.

Os investimentos até 2017 foram de R$ 4,4 milhões. Os agricultores familiares já incluídos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do Governo Federal, foram selecionados de acordo com critérios do Plano Brasil Sem Miséria e em razão de sua aptidão para a apicultura.

O objetivo das ações é a erradicação da pobreza extrema e o desenvolvimento agrário e social e foram repassados à 6ª Superintendência Regional da Codevasf, sediada em Juazeiro (BA).

Entre as ações realizadas pela Codevasf, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Regional, do Ministério da Integração Nacional, está a estruturação das famílias com colmeias completas e outros materiais necessários ao desenvolvimento da atividade, como formões, carretilhas, fumigadores, macacões, chapéu, luvas, botas e cera de abelha disposta em placas alveoladas.

Cada família selecionada foi equipada com 20 colmeias mais suporte de ferro para fixação no campo e o material para uso na atividade. São 12,4 mil colmeias implantadas no semiárido, com um quilo de cera alveolada de abelha, além de 1,2 mil indumentárias e 620 formões, carretilhas e fumigadores.

“Proporcionar conhecimento técnico e equipamento para essas famílias melhorarem de vida realizando uma atividade rentável e, ao mesmo tempo, ecologicamente correta, vai muito além do aumento de renda dessas famílias, o que, por si só, já é um ganho enorme. Passa pela preservação do meio ambiente e, em última instância, pela preservação da água dos rios da região onde essa população habita, por causa das características da apicultura, que utiliza pouca água se comparada com outras atividades de subsistência”, afirma Inaldo Guerra, diretor da Área de Revitalização da Codevasf.

Municípios atendidos

No município de Campo Alegre de Lourdes, situado a cerca de 320 quilômetros de Juazeiro, foram beneficiadas 45 comunidades de pequenos agricultores, em um total de 257 famílias, todas interessadas em trabalhar com apicultura.

Além dos kits, elas receberam capacitação para atividade apícola básica por meio de uma parceria da Codevasf com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Algumas comunidades remanescentes passaram por treinamento complementar para aprender a usar os kits apícolas.

O agricultor Salvador da Silva Lopes foi um dos beneficiados. “Eu trabalhava só na roça, plantando milho e feijão. Quando recebi as caixas [colmeias], saí espalhando e ‘iscando’ [colocar cera alveolada nas colmeias para atrair enxames], e das 20 caixas consegui capturar 19 enxames. Estou muito alegre por isso”, diz. “Muita coisa eu fazia errado antes do curso de capacitação, mas agora não faço mais, porque eu quero trabalhar do jeito correto”, acrescenta.

Raimundo Rodrigues da Silva concorda com Salvador. “A gente aqui do Nordeste costuma trabalhar com lavoura, plantando milho e feijão, mas aí vimos que com abelha vamos ter pouco trabalho e um bom resultado”, comemora.

Em Pilão Arcado, 38 comunidades onde moram e trabalham 181 famílias também já desenvolvem a atividade de forma mais racional e produtiva, principalmente sem recorrer ao extrativismo rudimentar, que antigamente dizimava os enxames para a extração do mel.

Hoje os apicultores conseguem reimplantar adequadamente esses enxames sem dizimá-los ou causar danos à natureza, utilizando técnicas aprendidas durante o período de treinamento.

No município de Remanso, distante 210 quilômetros de Juazeiro, cerca de 27 comunidades rurais foram incluídas no programa de desenvolvimento da apicultura.

Aproximadamente 182 famílias passaram por uma capacitação que abordou a organização da cadeia produtiva e o detalhamento da atividade para que ela se fortalecesse. Elas aprenderam também a relação das estações do ano com o índice de produtividade dos enxames, conforme as condições edafoclimáticas (relação entre planta, solo e clima).

Comercialização

Segundo dados levantados pela Unidade Regional de Desenvolvimento Territorial da Gerência Regional de Revitalização da Bacia Hidrográfica (6ª GRR/UDT) da Codevasf em Juazeiro, cada colmeia pode produzir até 40 quilos de mel orgânico por ano, considerando-se a aquisição de equipamento e o treinamento dos apicultores realizado nos três municípios baianos.

Atualmente, o valor mínimo do quilo do produto oscila entre R$ 11,60 e R$ 12,00 na região. A expectativa é de que as 620 famílias beneficiadas com os kits produtivos nos três municípios alcancem uma produção de cerca de 400 toneladas de mel neste ano, o que deve movimentar a economia regional com a injeção de mais de R$ 4,5 milhões no comércio local dos três municípios.

O custo de produção pode chegar a R$ 3,00, o que ainda proporciona aos produtores familiares um lucro aproximado de 65% por quilo de mel produzido. A renda para cada produtor foi estimada em R$ 1,9 mil por mês durante o período produtivo passado de quatro meses (janeiro a abril).

Em Campo Alegre de Lourdes, a Cooperativa dos Apicultores de Campo Alegre de Lourdes (Coapical), fundada em 1996, ainda concentra coleta, beneficiamento e comercialização do produto da região.

Ela reúne mais de 30 associados registrados, mas, segundo a direção da entidade, mais de 100 produtores do município utilizam os serviços da cooperativa. A Coapical já chegou a beneficiar até 190 toneladas de mel em meados desta década; 10% da produção dessa marca era composta por mel orgânico – que é produzido sem que as abelhas tenham contato com lavouras, e que é mais valorizado nos mercados interno e externo.

A cooperativa ainda possui contrato com uma empresa paranaense que exporta mel para a Europa. A comercialização é feita em tonéis de 280 kg, e a entidade já chegou a faturar mais de R$ 90 mil em um ano anterior com a venda de grande parte da produção para o sul do país.

O mel produzido em Campo Alegre de Lourdes e vendido pela Coapical tem certificação de qualidade. A cooperativa é uma das três entidades apícolas que possuem esse tipo de identificação no Brasil.

“Esses resultados mostram a importância da atuação da Codevasf nos municípios que estão inseridos em nossa área de abrangência”, afirma o superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar Silva Neto.

Para o analista em desenvolvimento regional da Codevasf em Juazeiro Everaldo Andrade, a inclusão de famílias rurais em situação de vulnerabilidade social na cadeia produtiva apícola regional é de suma importância para combater o êxodo rural, principalmente de jovens, e para a geração de renda.

Everaldo Andrade acrescenta que “A apicultura é uma atividade que atende concomitantemente aos requisitos primordiais do tripé da sustentabilidade, ou seja; é socialmente justa, economicamente viável e ambientalmente correta, proporcionando melhores resultados que qualquer outra atividade pecuária desenvolvida em áreas de sequeiro na caatinga, como a caprinocultura, a ovinocultura e a bovinocultura”, avalia.

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