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Agricultores fazem “vaquinha” para consertar estradas estaduais do Oeste

09/04/2017

Por Estelita Hass Carazzai, enviada especial da Folha de São Paulo ao Oeste.

A estrada que corta o mar de lavouras no oeste da Bahia é de chão batido. Tal como outras rodovias da região do Matopiba – que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, no cerrado–, está sujeita a buracos e lama depois que a chuva passa. Este ano ele foi mais intensa na época da colheita, quando é preciso escoar a safra.

Para que a rota fique transitável, anualmente os agricultores fazem uma vaquinha para obras de manutenção.

A doação é em sacas de soja, e varia conforme o tamanho da fazenda.

“Se esperar pelo governo, faz nada”, diz o produtor Marildo Mingori, 55, que deu 2.000 sacas de soja neste ano para terraplenar a BA-458 –o equivalente a R$ 120 mil.

A prática é comum a outras regiões agrícolas do Brasil.

Se chover, a BA 458 não aguenta o tráfico pesado

“Se não for assim, não entra insumo e não sai grão”, diz o agrônomo Rafael Maschio, diretor-executivo da Aprosoja Piauí (Associação dos Produtores de Soja).

Na Bahia, os produtores começaram doando o combustível que abastecia máquinas de prefeituras ou do Estado para consertar estradas.

Aos poucos, as doações informais viraram parcerias com o poder público. Há quatro anos, foi criado o Prodeagro (Fundo para o Desenvolvimento da Agropecuária da Bahia), chamado de Fundão.

Do lado dos agricultores, ele recebe as doações de soja; do governo, são créditos tributários de indústrias processadoras de soja e milho.

Com o dinheiro, as associações de produtores compraram máquinas e contrataram mão de obra. São 18 pessoas e dez máquinas nas estradas durante todo o ano.

Na safra passada, foram gastos R$ 19 milhões em 20 estradas. Neste ano, serão R$ 6 milhões.

“Todo ano é assim; choveu, não passa”, diz o motorista Augusto José Lopes, 44, que encalhou o caminhão vazio a caminho de uma fazenda em Luís Eduardo Magalhães. “Se estivesse cheio, perigava tombar.”

A parceria com o poder público já é hábito em Mato Grosso, onde foram criadas as chamadas “PPPs caipiras”, no início dos anos 2000. O resultado foi a redução de 20% nos gastos com transporte, segundo o Movimento Pró-Logística do Mato Grosso.

“Infelizmente, as coisas no Brasil só acontecem pelo voto. E a região aqui não é tão habitada”, comenta Maschio.

O governo argumenta que não tem orçamento, mas diz estar aberto a parcerias. Os produtores têm uma reunião marcada na próxima semana, para negociar as primeiras PPPs no Estado. 

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