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Um debate entre doutas figuras do mundo jurídico em separação consensual

06/04/2017

Um juiz e uma advogada resolvem se separar, mantendo a discussão em alto nível, como convém a duas pessoas de fina estirpe.

ESPOSA:

– Eu não aguento mais essa sua inércia. Eu estou carente, carente de ação, entende?

JUIZ:

– Carente de ação? Ora, você sabe muito bem que, para sair da Inércia, o Juízo precisa ser provocado e você não me provoca, há anos. Já eu dificilmente inicio um processo sem que haja contestação.

ESPOSA:

– Claro, você preferia que o processo corresse à revelia. Mas não adianta, tem que haver o exame das preliminares, antes de entrar no mérito. E mais, com você o rito é sempre sumaríssimo, isso quando a lide não fica pendente… Daí é que a execução fica frustrada.

 

JUIZ:

– Calma aí, agora você está apelando. Eu já disse que não quero acordar o apenso, no quarto ao lado. Já é muito difícil colocá-lo para dormir. Quanto ao rito sumaríssimo, é que eu prezo pela economia processual e detesto a morosidade. Além disso, às vezes até uma cautelar pode ser satisfativa.

ESPOSA:

– Sim, mas pra isso é preciso que se usem alguns recursos especiais. Teus recursos são sempre desertos, por absoluta ausência de preparo.

 

JUIZ:

– Ah, mas quando eu tento manejar o recurso extraordinário você sempre nega seguimento. Fala dos meus recursos, mas impugna todas as minhas tentativas de inovação processual. Isso quando não embarga a execução.

Mas existia um fundo de verdade nos argumentos da Advogada. E o Juiz só se recusava a aceitar a culpa exclusiva pela crise do relacionamento. Por isso, complementou:

JUIZ:

– Acho que o pedido procede, em parte, pois pelo que vejo existem culpas concorrentes. Já que ambos somos sucumbentes vamos nos dar por reciprocamente quitados e compor amigavelmente o litígio.

ESPOSA:

– Não posso. Agora existem terceiros interessados. E já houve a preclusão consumativa.

JUIZ:

– Meu Deus! Mas de minha parte não havia sequer suspeição!

ESPOSA:

– Sim. Há muito que sua cognição não é exauriente. Aliás, nossa relação está extinta. Só vim pegar o apenso em carga e fazer remessa para a casa da minha mãe.

 

E ao ver a mulher bater a porta atrás de si, Dr. Juílson fica tentando compreender tudo o que havia acontecido. Após deliberar por alguns minutos, chegou a uma triste conclusão:

JUIZ:

– É.. e eu é quem vou ter que pagar as custas…”

Autor desconhecido

 

One Comment leave one →
  1. Cemat permalink
    07/04/2017 8:17

    Sr. Juiz, não precisa preocupar com as custas, no Brasil a justiça sempre oferece direito de recorrer da decisão, por essas e outras razões, que tem processos com 10,20 30 anos sem uma decisão final.

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