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Cortes de investimento e pouca oferta de crédito para o próximo Plano Safra preocupam produtores de algodão

31/03/2017

O secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, antecipou o cenário para o próximo Plano Safra 2017/2018 em reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados do Mapa .

Orçamento restrito, devido à crise econômica, e perspectivas de cortes nos programas de subvenção ao seguro rural e de recursos para o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), como contingenciamento atrelado à necessidade de cumprimento das metas pelo governo.

Estas foram algumas das sinalizações do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Geller, em sua participação na última quarta-feira (29), da reunião ordinária de número 46 da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, na sede do Mapa, em Brasília.

Por outro lado, o secretário destacou uma tendência real de redução das taxas de juros para o Próximo Plano Safra, considerando que o Conselho Monetário Nacional aponta para uma redução progressiva de juros no país. Geller foi convidado a participar da sessão, na qual antecipou um panorama do próximo Plano Safra, previsto para ser lançado pelo Governo Federal até junho.

As notícias de “tempos difíceis” deixaram apreensivos os membros da Câmara, pois impactam, justamente, sobre alguns dos principais pleitos dos cotonicultores, representados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). A Câmara congrega desde a produção agrícola até a indústria têxtil e de confecções.

Dentre as bandeiras defendidas pela Abrapa, está a elevação do Preço Mínimo do algodão dos atuais R$54,90/arroba para R$74,76/arroba. O valor de referência proposto para os leilões da Conab foi calculado de acordo com os custos atuais de produção da commodity em um estudo assinado pela Abrapa e suas associações estaduais, Cepea/USP e CNA.

De acordo com o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura, a elevação é uma necessidade, ainda que, no momento atual, não haja nenhuma previsão de necessidade de subvenção através do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) de milho e algodão.

“Ajustar o valor, que está defasado, é uma segurança para o agricultor de algodão e milho para que, no caso de uma eventual necessidade, este não fique descasado da realidade do agricultor. Mas o que ficou claro na apresentação de Neri Geller é que não há provisionamento para este ajuste agora, sendo a prioridade do governo o seguro rural voltado ao pequeno produtor”, afirmou.

A Câmara propôs, ainda, um preço mínimo diferenciado por região produtiva, para o algodão, como já acontece com o milho. “O custo de produção varia muito por estado produtor. Na Bahia, por exemplo, onde se faz uma única safra de algodão, o custo de produção é mais alto do que em Mato Grosso, que faz duas safras. Entender essa diferença e estabelecer preços mínimos diferenciados faz com que o programa seja mais justo e eficaz”, explica Moura.

Em defesa dos recursos destinados à produção de algodão, os membros da Câmara argumentaram a importância social e econômica do setor produtivo, que, em sua avaliação, deve ser preservado dos cortes orçamentários. Mas o alerta do secretário de Política Agrícola do Mapa foi de que, a depender da situação econômica do país, não haverá avanço no crédito em relação ao Plano Safra 2016/2017.

Dentre as boas notícias de Neri Geller, a liberação do crédito denominado “extra teto” para grandes produtores, com juros equivalentes ao do crédito rural – uma demanda da Abrapa através Câmara Setorial –, a manutenção do programa Moderfrota, o investimento em tecnologia de informação para integrar os dados do setor, com o programa Inovagro, e o incentivo ao financiamento de armazéns, silos e secadores para soja, milho e arroz.

Este último também uma bandeira da Câmara Setorial. “É uma necessidade evidente. Cada safra cheia que fazemos gera uma crise logística. Sem estradas e armazéns, os grãos se perdem em cima dos caminhões”, afirma o presidente da Abrapa.

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