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Curitiba em Transe

03/12/2016

Por Fuad Faraj, promotor de Justiça do Paraná

Os pretensos boys magia da Car Wash, na República de Curitiba, foram tragados por alguma espécie de histerismo paranóico diante de uma decisão tomada pela Câmara dos Deputados, em Brasília, que soterrou as desmedidas criadas e capitaneadas pelos magnânimos Redentoristas da Procuradoria da República. Travestido de projeto de iniciativa popular, as “desmedidas” apresentadas foram gestadas por longos meses no ventre de todos os Ministérios Públicos do Brasil, com utilização de expressivos recursos públicos.

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Não me surpreenderia se tivéssemos a notícia de que palestras e assinaturas ao projeto fossem critérios de avaliação do estatágio probatório dos que recém ingressaram na carrreira.  Não se aventa, portanto, iniciativa popular nas medidas que propalavam necessárias para o combate eficiente à corrupção. Tudo foi um sortilégio. A iniciativa do projeto de lei é de um ente estatal chamado Ministério Público, o qual usou toda a sua estrutura e poder de fogo para buscar assinaturas de cidadãos induzidos a erro pelo título do projeto. O título do projeto de lei vendia combate à corrupção, mas o conteúdo dava ao cidadão também opressão e violação de direitos fundamentais.

De cunho autoritário, algumas delas buscavam solapar em suas bases o estado democrático de direito para que se erigisse, em seu lugar, um estado policialesco gerido por integrantes de um ministério cada vezes menos público e cada vez mais corporativo, unido na sanha persecutória inspirada no segregacionismo, na parcialidade seletiva e no sectarismo social, ideológico e político.

O Projeto aprovado, e talvez deva ser essa a razão do ódio profundo que suas Excelências devotam ao parlamento integrado por deputados eleitos pelo voto popular, inclui responsabilização criminal para promotores e juízes, entre outros atos, por atos ilícitos por eles praticados, antes “punidos” apenas na seara disciplinar. Com arroubos próprios de primas-donas descompensadas, sem qualquer razoabilidade, “ameaçaram” renunciar caso o projeto legislativo seja sancionado pelo Presidente. Um motim praticado por altos servidores públicos, integrantes de uma Carreira de Estado, que estão no topo da pirâmide da remuneração estatal.  Este disparate dos Procuradores da República, junto com todo conjunto da obra, é algo inominável.

Queriam acaso poder violar, sem punição alguma, a Constituição e todas as leis do país? Acaso fazem parte de uma classe de superdotados infalíveis que deve ser colocada acima de todos os demais cidadãos para poder prejudicar com seus atos, impunemente, o cidadão, a nacão e o país?  A bem pouco tempo, a lembrança me é vaga, os ilustrados integrantes da Car Wash diziam que a lei deve valer pra todos. Para todos, menos para eles.

A julgar pelo que falaram, vê-se que são muito ciosos de si e os únicos que podem fazer alguma coisa para salvar o Brasil. Passam a impressão, por este discurso mendaz e bravateiro, que a Procuradoria da República são eles e o resto dos seus pares constitui o rebotalho sem cérebro e sem estampa daquela instituição. Os demais membros do Ministério Público Federal não devem valer nem mesmo o auxílio-moradia que recebem, quanto mais o subsídio integral. É sério isso, preclaros jurisconsultos?

Vê-se que os bem dotados juristas desta novel república nos ensinam sempre uma nuance jurídica que escapa aos simples mortais como nós.  Assim como, para dar um único exemplo, aprendemos com eles regras nunca antes vistas no cenário jurídico nacional ou mundial, do tipo que estabelecem conduções coercitivas sem lastro em Lei e na Constituição, aprendemos agora que a um membro do Ministério Público se concede a prerrogativa de dar às costas ao seu trabalho e ir voltar ao dolce far niente de seu gabinete ou o que quer que possa ser entendido como “voltar às nossas atividades”.

Pelo nível do discurso, deve-se entender que são uns incendiários da República que propalam proteger. Seu discurso toca as almas daqueles embebidos de ódio e rancor, em busca da destruição de um inimigo, qualquer inimigo, que possa dar vazão, como num transe, aos seus sentimentos mais violentos e lhes sirva de catarse.

Nos passam a impressão, falsa espera-se, que não tiveram outro interesse além de levantar, através do uso absoluto dos meios de comunicação, uma massa de cidadãos com os quais se alinharam, desde a primeira hora, na ação e na ideologia, no ódio e no rancor, para concretizar uma ruptura institucional de consequências nefastas para o nosso Brasil.  Neste domingo, 4 de dezembro, todo planeta saberá, mais uma vez, que tipo de manifestações de massa eles tiveram a capacidade de invocar, provocar e estimular sem se importar com quaisquer consequências.

É sintomático perceber, e também é um traço revelador do que se trata, que olhando para o passado vemos uma sincronia temporal mágica entre as ações destes paladinos da justiça, do Juiz Supremo, dos vazamentos, das grandes manchetes, dos eventos políticos e das manifestações de rua. Nós, comuns mortais, sequer conseguimos planejar com tal acurácia e eficiência um almoço em família num domingo. Estes caras respeitáveis, notáveis juristas e comportados piás de prédio, fizeram uma “revolução”, alinhando-se, desavisadamente espera-se, ao que tinha de mais retrógrado no esquema de poder que submete este país debaixo de uma canga desde 1500.  A história não os absolverá.

Graças a esses gênios, pioneiros da jurdisdição-espetáculo, teremos, ano que vem, eleição indireta para eleger o Presidente da República pela primeira vez desde o fim do regime instaurado pela Redentora Revolução de 64.  Graças a esses notáveis de vanguarda, temos uma ÚNICA operação policial comandando os destinos de um país inteiro, gestada à forma de um seriado de televisão para durar anos, indo para a 4ª temporada, enquanto o nosso país definha econômica, social e politicamente.  Cansados da “brincadeira”, esses luminares agora ameaçam “renunciar”.

Transformaram nossa terra numa Bananalândia.  Nosso País, com o recrudescimento das divisões internas que vão se tornando a cada dia mais inconciliáveis está deixando de ser uma Nação. Aos poucos, também, o Brasil vai deixando de ser uma País soberano.

Não, a história nunca os absolverá.

Nota da Redação: Segundo o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, em entrevista ao Jô Soares, se contratado, o Sindicato dos Ambulantes de São Paulo consegue 300.000 assinaturas em uma semana para qualquer tipo de propositura à Câmara. Não estamos afirmando que isso aconteceu com o projeto das “10 medidas contra a corrupção”. Só estamos repercutindo informações dadas por pessoas com capacidade de discernimento. Para quem se utiliza de coisas tão prosaicas como o programinha Power Point para acusar, frente à televisão, e formar culpa de pessoas, utilizar-se de recursos como o supracitado pode também ser justificável.

 

3 Comentários leave one →
  1. O Observador permalink
    03/12/2016 19:40

    Colunista do blog petista “O cafezinho” o promotor de justiça Fuad Faraj tem a imparcialidade tão verdadeira como nota de 3 reais. Figura cheio de controvérsias e polêmicas foi contra a lei de iniciativa popular que estabeleceu o “ficha limpa” essa mesma lei que este blogueiro gosta de enaltecer quando ela impede que os adversários políticos seus de atuarem na política na Região. Eu assinei o abaixo assinado que propõe as 10 medidas contra a corrupção de forma consciente da mesma forma que assinei o abaixo assinada que propuseram a ficha limpa. Quem tenta deslegitimar é porque teme profundamente que seus ídolos de outrora sejam dizimados por ela! Esses crápulas não passarão.

  2. César permalink
    03/12/2016 21:16

    Transformaram nossa terra numa Bananalândia.????? Bananalândia é o que o Brasil já é, em que vários promotores passaram a mão na cabeça de corruptos e marginais. O que os procuradores da Lava Jato estão fazendo é uma revolução no Brasil, revolução esta que está sendo contra atacada por marginais da pior espécie. O Brasil sempre foi um paraíso para bandidos e somente as 10 medidas poderiam se não acabar pelo menos diminuir em grande parte com a farra que é feita por criminosos no Brasil apoiados por seus defensores. Bananalândia é o que Brasil é mais do que nunca.

    Agora eu te pergunto, quantas investigações já foram realizadas por este promotor autor deste texto e quantos casos de corrupção ele já descobriu e condenou os corruptos?

    O que ele fez para merecer o super salário que recebe?

    É somente para ficar escrevendo essas merdas aí?

  3. Zé da Luz permalink
    04/12/2016 11:21

    Eu não entendo o porquê ser contra a Lava Jato, ou melhor, entendo perfeitamente!
    É porque mostrou a cara do PT!
    Ladrões e corruptos presos.
    Isso te desagrada?

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