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Olhos nos olhos, dedo firme no gatilho*, Dilma enfrenta as feras no Senado

29/08/2016
Brasília - Presidente afastada Dilma Rousseff, faz sua defesa durante sessão de julgamento do impeachment no Senado(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Brasília – Presidente afastada Dilma Rousseff, faz sua defesa durante sessão de julgamento do impeachment no Senado(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O País e grande parte da imprensa mundial estão de olhos voltados para o Senado Federal e o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff. Veja algumas frases do dia de hoje:

“Quem executou o impeachment queria obviamente se proteger da Lava­Jato. Mas também entrou em uma disputa de novo tipo, que tornou obsoletas regras e padrões de formação de governo observados nas últimas duas décadas. Nos governos liderados por PT e PSDB, o agora chamado Centrão sempre teve de se contentar com as migalhas que lhe eram jogadas pelo alto clero da política congressual. O alto clero controlava o financiamento e a distribuição de cargos e de verbas.” Marcos Nobre, no Valor Econômico.

“O impeachment é um processo doloroso para todos e extremamente constrangedor e às vezes até vexatório”. Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes

“Página infeliz da nossa história” Senadora Lídice da Matta – PSB – Bahia

“Acho uma temeridade a volta da presidente Dilma, sem base parlamentar, com rombo na economia”. Ex-ministro de Lula e senador Cristovam Buarque (PPS-DF) 

“Ela (Marina Silva) apoiou Aécio e eu agora não concordo com o impeachment da Dilma. Estamos quites”. Randolfe Rodrigues, único senador da Rede de Sustentabilidade.

Os senadores golpistas não esperavam que Dilma fosse ao Senado fazer a própria defesa. Fosse lá encará-los e desafiá-los a provar que ela cometera crime de responsabilidade. Talvez tenham pensado que seria uma sessão sobre a qual teriam domínio, como de costume, mas não foi bem assim. O discurso de Dilma foi tão forte e esclarecedor sobre as tramas e conspirações que levaram ao golpe que os fez calar. Laurez Cerqueira, jornalista e assessor técnico da Câmara dos Deputados.

O impeachment de Dilma é uma encenação? Não. A linguagem empolada dos parlamentares, suas pendências criminais, os discursos demagógicos diante das câmeras que os popularizarão na TV e na internet e as frequentes baixarias podem transmitir exatamente esta ideia: de uma farsa a cargo de fanfarrões. Tudo isso deixa evidente como estamos mal em termos de representação política. Mas, em que pesem as aparências, não se trata de uma encenação. Sylvio Costa, jornalista e  fundador do Congresso em Foco

“Jamais atentaria contra o que acredito ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram.”

“Como todos, tenho defeitos e cometo erros. Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia.”

“Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes.”

“Se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram.”

“Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar.”

Dilma Rousseff, em seu longo discurso de defesa.

“É claro que pode ser que ela (Dilma) não esteja conseguindo mudar o voto de quem já está com seu pensamento construído, com suas convicções consolidadas, mas fica também o registro para que na história se possa saber o que realmente está acontecendo aqui. Porque mesmo que a palavra impeachment tenha um cunho mais largo, o processo é de fatos ligados à gestão pública. É um processo estreito em sua ótica de análise. Então acho que ela tem conseguido construir um raciocínio em que pode estar esclarecendo esses pontos e também construindo a ideia de que ela está aqui em respeito ao processo e ao estado de direito brasileiro.” Senador Roberto Muniz (PP-Bahia).

“Ela está muito bem, firme. Dilma falou o tinha que falar” Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do País.

“As velhas raposas querem o galinheiro”. Chico César, cantor e compositor

Brasil é medalha de Ouro na corrupção. New York Times.

*Meu filho, se acaso chegares, como eu cheguei a uma
campina de horizontes arqueados, não te intimidem o
uivo do lobo, o bramido do tigre; enfrenta-os nas esquinas
da selva, olhos nos olhos, dedo firme no gatilho.

Meu filho, se acaso chegares a um mundo injusto e triste
como este em que vivo, faze um filho; para que ele alcance
um tempo mais longe e mais puro, e ajude a redimi-lo.

Excerto do poema If, de Paulo Mendes Campos.

One Comment leave one →
  1. Cidadão de LEM permalink
    30/08/2016 9:36

    …5 … 4 … 3 …

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