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Setor elétrico quer reduzir ainda mais a vazão do São Francisco

17/08/2016
O baixo São Francisco, em Paulo Afonso

O baixo São Francisco, em Paulo Afonso

A atual crise hídrica que atinge duramente a bacia do rio São Francisco pode ter um efeito ainda mais danoso para a sobrevivência do manancial. O sistema elétrico enviou ofício à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com o pedido de redução da vazão do rio dos atuais 800 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 700 m³/s. A medida atingiria diretamente os reservatórios de Sobradinho (BA) e Xingó (entre Alagoas e Sergipe)

            O assunto será ainda discutido em reunião de avaliação dos efeitos da vazão reduzida no âmbito da bacia do São Francisco. O argumento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é que há necessidade de garantir os usos múltiplos na bacia hidrográfica.

            Apesar de a legislação estabelecer o limite mínimo da vazão, a defluência praticada vem sendo reduzida desde 2013. Na época, a vazão era de 1.300 m³/s e, desde então, vem sendo diminuída progressivamente, até o limite atual. Diante da possibilidade de nova redução, o prefeito do município de Pão de Açúcar, em Alagoas, Jorge Dantas, admitiu mobilizar os demais municípios do Baixo São Francisco e buscar apoio do governador alagoano, Renan Filho, e da bancada parlamentar federal, a fim de contribuir com o processo de preservação do rio.

Nota da Redação: parece lógico que o ONS quer preservar o reservatório de Sobradinho para que não atinja o volume morto em novembro, como andou muito perto no ano passado. Preserva assim as populações ribeirinhas do médio São Francisco, com suas pequenas irrigações e com água para dessedentação animal e humana.

Para se ter uma ideia a diferença proposta de 100 m³/s na vazão seria suficiente para mover 2.400 equipamentos de irrigação tipo pivô central, com área de 100 ha cada um. Não é o caso, mas dá ideia ao leitor do volume que deve ser restringido para o baixo São Francisco.

Os equipamentos instalados no Oeste baiano não ultrapassam o número de 840 unidades, com área irrigada de 84 mil hectares e capacidade de produzir, por exemplo, 12.600.000 sacas de milho em primeira safra e até 4.200.000 sacas de feijão em segunda safra.

Ontem, Sobradinho estava apenas com 16,69% de sua capacidade, segundo o ONS.

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