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A primavera silenciosa. Estamos caminhando para a construção de um deserto?

13/11/2015

mapa deserto

Recebemos um email de um leitor, reiterando a oportunidade das manifestações do povo de Correntina sobre o desmatamento e o uso da água de veredas e do lençol freático profundo. O que mais chama a atenção no email do leitor é um mapa de 1973, portanto com 42 anos, quando a ocupação do Oeste era rarefeita, sobre os terrenos do Oeste suscetíveis de desertificação, onde se destacam as regiões de Jaborandi, Cocos, Santa Maria da Vitória e Correntina – bacia do rio Corrente – e de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e Formosa do Rio Preto, bacia do rio Grande.

É difícil de entender que solos frágeis, por vezes com 10% de argila, francamente arenosos, tenham sido desmatados sem a manutenção de reservas previstas em lei e os decantados corredores ecológicos. Em algumas fazendas nem as APPs( áreas de preservação permanente ao longo das veredas) foi preservada. Hoje entendemos porque nossas primaveras são silenciosas, sem canto dos pássaros e, por via de consequência, sem os predadores naturais para o cultivo das lavouras. Veja a carta do leitor abaixo:

“Caro Diretor do jornal O EXPRESSO,

Sou natural de Santana (antiga Santana dos Brejos) e atualmente estou morando em Salvador. Desde 1986 que realizo pesquisas das cavernas da Bacia do Rio Corrente, com ênfase no Complexo Gruta do Padre que abrange parte de Canápolis, Santana e Santa Maria da Vitoria.

Quando eu trabalhava no antigo CRA (atual INEMA) escrevi alguns relatórios técnicos sobre a região do Rio Corrente, que atualmente é o maior contribuinte do Rio São Francisco.

Recebi por e-mail o seu jornal sobre a Mobilização da Comunidade de Correntina e  lhe dou parabéns pela iniciativa da matéria.

É preciso acrescentar algumas informações técnicos para o Povo de Corrente:

1 – A Constituição Estadual da Bahia 1989, diz que todos os rios da margem do Rio São Francisco do oeste baiano é Patrimônio do Estado.

O Governo do Estado da Bahia faz de conta que não sabe disto e a SEMA e INEMA, vão dando licenças ambientais absurdas infringindo a nossa Constituição.

2 – Mapa de Vulnerabilidade à desertificação na Bahia.

Neste mapa é visto que quase todas margens da veredas são suscetíveis a desertificação.  O Governo do Estado da Bahia sabe disto também e faz de conta que os moradores da nossa região somos bestas.

Isto tudo é Patrimônio da Bahia. Entendo que toda esta área deveria ser uma Unidade de Conservação. Abraços, Aloísio Cardoso.

2 Comentários leave one →
  1. Fernandes permalink
    13/11/2015 8:43

    O processo de desertificação é irreversível, por favor leiam esse artigo do Professor Altair Sales da PUC de Goiás http://www.revistaecologica.com/cerrado-extinto-seca-agua-no-brasil/

  2. 13/11/2015 15:46

    Retificando: Já nesta publicação a história muda e ressalta a importância das lavouras para a preservação do Cerrado
    http://www.novoeste.com/index.php?page=destaque&op=readNews&title=Cerrados%3A+a+Salva%E7%E3o+da+Lavoura

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