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Desaparece o fazendeiro das nuvens, o grande Manoel de Barros

13/11/2014

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O poeta Manoel de Barros (97), que estava internado há cerca de duas semanas um hospital em Campo Grande (MS), morreu nesta quinta-feira (13). O escritor havia passado por uma por uma cirurgia de desobstrução do intestino, mas, de acordo com boletim médico divulgado na quarta (12), apresentou piora no quadro clínico e era mantido sob sedação na unidade de terapia intensiva há mais de uma semana. O escritor, que faria 98 anos no dia 19 de dezembro, nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso. Era considerado um dos maiores poetas brasileiros, tendo publicado seu primeiro livro, “Poemas concebidos sem pecado”, em 1937. Barros foi contemplado ainda por dois Jabutis, pelas obras “O guardador de águas”, em 1989 e “O fazedor do amanhecer”, em 2002.

Uma das grandes obras do poeta, que discorre sobre sua simplicidade no escrever e no inventar das figuras poéticas:

O fazedor de amanhecer

Sou leso em tratagens com máquina.
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.
Em toda a minha vida só engenhei
3 máquinas
Como sejam:
Uma pequena manivela para pegar no sono.
Um fazedor de amanhecer
para usamentos de poetas
E um platinado de mandioca para o
fordeco de meu irmão.
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.
Fui aclamado de idiota pela maioria
das autoridades na entrega do prêmio.
Pelo que fiquei um tanto soberbo.
E a glória entronizou-se para sempre
em minha existência.

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