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Betinho, símbolo da cidadania.

09/08/2014

BETINHO 001

Artigo do professor Valdeci

Rendo minhas homenagens ao sociólogo mineiro Herbert de Souza, o Betinho, que hemofílico, faleceu em 09 de agosto de 1997 em consequência de uma hepatite do tipo C. Ele era portador do vírus da HIV e foi contaminado em uma transfusão de sangue.

Betinho é um verdadeiro herói nacional e dedicou sua vida a melhorar a condição humana dos brasileiros deixando um exemplo claro de solidariedade e de luta pela transformação social.

Em 1979, a volta de Betinho do exílio, o irmão de Henfil, virou marca da campanha da anistia por causa da música “O bêbado e a equilibrista”, de Aldir Blanc e João Bosco. Dois anos após criaria o Ibase.

Na década de 1990, tornou-se símbolo de cidadania no Brasil ao liderar a campanha contra a fome ao mobilizar a sociedade brasileira para enfrentar a pobreza e as desigualdades.

A Campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida não foi a única frente em que Betinho se envolveu desde que voltara do exílio. Ainda nos anos 1980 foi articulador da Campanha Nacional pela Reforma Agrária. Junto com outras entidades, o Ibase organizou em 1990 o evento “Terra e Democracia”, que levou 200 mil pessoas ao Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Em 1986, depois de saber que era portador do vírus HIV, Betinho ajudou a fundar a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia). Em 1992, fez parte do Movimento pela Ética na Política, que culminou com o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. O movimento serviria de base para a mobilização da campanha contra a fome.

A militância de Betinho começou na adolescência, na Ação Católica, em Belo Horizonte. Na UFMG, foi um dos fundadores da Ação Popular (AP), uma organização formada por um grupo católico pró-socialismo. Formou-se em Sociologia em 1962 e engajou-se na luta pelas reformas de base do governo João Goulart.

Betinho resistiu ao golpe de 1964 e à ditadura que se instalou no Brasil. Quando a repressão intensificou-se, partiu para o exílio em 1971. Morou no Chile, no Canadá e no México.

Em 2012, a história de Betinho foi reconhecida pela Unesco como parte importante da memória mundial. O arquivo Herbert de Souza, do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi indicado para o Registro Nacional do Programa Memória do Mundo da Unesco. A decisão foi tomada pelo Comitê Nacional do Brasil, órgão ligado ao programa da Unesco e a cerimônia de diplomação aconteceu no dia 4 de dezembro. No mesmo ano, o Ibase lançou o livro O Brasil de Betinho, escrito por Dulce Pandolfi, Augusto Gazir e Lucas Corrêa.

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