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Depois de 68, os jovens de novo na rua, contra a polícia.

14/06/2013
Jornalista Giuliana Avallone, da TV Folha, ferida no olho

Jornalista Giuliana Avallone, da TV Folha, ferida no olho

Os relatos das agências de notícia, entre elas a Agência Brasil, sobre os conflitos de rua de São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, dão uma ideia do levante que acontece nas principais capitais do País, com foco no aumento de passagens, há mais de uma semana.

Jornalistas baleados

Dois jornalistas da Folha de S.Paulo, sempre as primeiras vítimas nestas manifestações de rua, foram baleados nesta quinta-feira 13, enquanto realizavam a cobertura dos protestos contra o aumento das tarifas de transporte coletivo em São Paulo. Giuliana Vallone e Fábio Braga levaram tiros de bala de borracha nos olhos.

De acordo com o blog Estadão Urgente, do jornal O Estado de S.Paulo, Giuliana, da TV Folha, estava em um estacionamento na rua Augusta, no centro de São Paulo, quando uma viatura das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) “se aproximou em baixa velocidade e um PM que estava no banco de trás atirou contra ela.” A Rota, espécie de tropa de elite da Polícia Militar, é conhecida pela extrema violência com que age nas ruas de São Paulo, em especial nas da periferia.

100 presos em SP

Mais de 100 pessoas, segundo a Polícia Civil de São Paulo, foram levadas para 78º Distrito Policial para averiguação durante o dia de hoje (13) no quarto protesto contra o aumento da tarifa de transporte público na capital paulista. A maioria foi detida pela Polícia Militar (PM) na região do centro enquanto se dirigia para o local do ato, o Theatro Municipal.  Um repórter da revista Carta Capital foi detido e um fotógrafo do portal Terra, revistado.

De acordo com os policiais civis no local, muitos jovens foram levados para a delegacia por terem vinagre dentro das mochilas. Os agentes não souberam, no entanto, explicar porque o porte da substância foi considerado motivo para averiguação. Os manifestantes dizem que levam vinagre para se proteger do gás lacrimogêneo. Ainda segundo a Polícia Civil, as pessoas detidas estavam sendo todas liberadas e não havia registro de presos até as 20h30.

O estudante de geografia Tiago Gomes disse que ficou mais de quatro horas detido por ter vinagre na mochila. “O vinagre era para tentar me proteger do gás lacrimogêneo”, disse o rapaz, que nos outros três protestos promovidos pelo Movimento Passe Livre (MPL) foi atingido pelas bombas com a substância lançadas pela polícia. Levado para a delegacia no final da tarde, ele só pode sair depois das 20h.

Morador do Capão Redondo, periferia da zona sul paulistana, Jhonilton Sousa disse à reportagem da Agência Brasil que foi abordado no Largo São Francisco por policiais militares. Ao revistarem a mochila do jovem de 22 anos encontraram um cartaz de cartolina contra o aumento das passagens e uma jaqueta do movimento punk, com o símbolo da anarquia. “Aí ele disse: ah não, anarquia, não. E me levou preso”, relatou o jovem, que ficou mais de três horas na delegacia.

A história é semelhante à contada pelo jornalista Marcel Buono, de 23 anos. Ao chegar à Estação Anhagabaú do metrô ele foi abordado por policiais. “Logo na saída tinha uma fileira de policiais fazendo revista”, disse. Os PMs encontraram na mochila uma câmera de vídeo que o rapaz pretendia usar para filmar o protesto para umblog de cobertura colaborativa montado com amigos. Macel disse que os policiais foram truculentos na abordagem. “Colocaram-me dentro do ônibus [para levar para a delegacia] e tinha que sentar em cima da mão. Disseram que se tirasse a mão ia ser encarado como uma agressão”, relatou o jovem, que também só foi liberado após as 20h.

A manifestação de hoje, que reuniu 5 mil pessoas, segundo a PM, foi a quarta desde o dia 6 contra o aumento das tarifas públicas, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 na semana passada. Em todas houve confronto com a polícia e depredações feitas pelos manifestantes.

A força tática usou bombas de gás e balas de borracha para tentar impedir os manifestantes de subirem a Rua da Consolação. O ato saiu da frente do Theatro Municipal e passou pela Praça da República. Os policiais negociavam com representantes do Movimento Passe Livre para que a manifestação se encerrasse na Praça Roosevelt, mas, durante a negociação, os manifestantes simplesmente continuaram com o protesto e seguiram adiante.

Após a repressão, grupos menores passaram a espalhar lixo pelas ruas e atear fogo, fazendo barricadas nas ruas, a exemplo do que foi feito nos outros atos. Desde o começo da manifestação, a polícia acompanhou o ato com grande contingente e prendendo diversas pessoas. Às 22h, a Cavalaria e a Força Tática ainda disparavam gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que chegaram a região das avenidas Paulista e Doutor Arnaldo. Ambas as avenidas foram fechadas. Nas ruas, os transeuntes tentavam se proteger dos efeitos da munição química.

Rio de Janeiro

Terminou em confusão a passeata contra o reajuste das passagens dos ônibus urbanos do município do Rio. A Polícia Militar (PM) acompanhou pacificamente toda a caminhada que saiu da Candelária e seguiu pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, onde os manifestantes fizeram uma rápida votação para saber se continuariam com o protesto. Como eles decidiram retornar para a Candelária, a PM resolveu agir com rigor para dispersar os participantes do ato.

Um grupo, então, resolveu seguir pela Avenida Presidente Antonio Carlos até o Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Ao passar em frente à sede do Tribunal de Justiça, alguns atiraram pedras contra o prédio, ferindo um homem na testa sem gravidade.

Da Rua Primeiro de Março, os manifestantes seguiram até a Candelária, onde tentaram fechar a Avenida Rio Branco. Para controlar a situação e evitar depredações, a PM voltou a fechar a Avenida Presidente Vargas, no sentido Candelária, e resolveu dispersar os participantes da passeata. Os militares usaram escudos e cassetetes e fizeram uso de bombas de efeito moral. Alguns pontos de ônibus da Avenida Presidente Vargas tiveram os vidros quebrados. O gás liberado pelas bombas de assustou algumas pessoas que estavam nos bares da região, aguardando o término do protesto.

A PM usou também homens do Regimento de Polícia Montada para auxiliar na dispersão do grupo. Os militares foram empurrando os manifestantes pela Avenida Presidente Vargas por mais de 2 quilômetros até a Central do Brasil. Durante o protesto, vários estudantes usavam máscaras de gás para se prevenir contra o efeito do artefato.

A Avenida Presidente Vargas só foi totalmente liberada nos dois sentidos por volta das 21h30. A PM informou que cerca de 2 mil pessoas participaram do protesto contra o reajuste das passagens dos ônibus, que passou a vigorar no dia 1º deste mês.

A Polícia Militar informou que 18 pessoas foram detidas na manifestação de hoje. Todas foram levadas para a 5ª Delegacia Policial, no centro, onde está sendo levantada a situação de cada uma nas depredações ocorridas em pontos de ônibus, nas caixas coletoras de lixo e nas pichações após o término do protesto.

O integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Rio de Janeiro, Rodrigo Mondego, que acompanhou a manifestação, esteve na delegacia para verificar se os direitos humanos dos detidos estavam sendo respeitados.

One Comment leave one →
  1. GEPETTO permalink
    15/06/2013 14:01

    OS JOVENS NAO ESTAN CONTRA A POLICIA E SIM CONTRA A CORRUPÇAO E AS CAIXAS2 DOS POLITICOS

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