Pular para o conteúdo

O gosto amargo da derrota

17/10/2012

Por Itapuan Cunha*

Por necessitar de um documento no setor de Tributos da Prefeitura de Barreiras, lá compareci na tarde de ontem, notando a tristeza de grande parte dos funcionários concursados e contratados, ante a derrocada do projeto “cidade mãe”, a ser interrompido a partir de 1º de janeiro de 2013.

                        É natural que os funcionários não tenham contribuído para tanto, mas é inegável que uma administração eivada de vícios, de desmandos e desorganização, possa prosperar. Afinal, o povo começa a enxergar o óbvio e desaprovou os atos e fatos administrativos de uma triste etapa da história de Barreiras, que na opinião de muitas pessoas não deixará saudades. É lamentável, pois se esperava muito da administração “cidade mãe”, mas a multiplicidade de intervenções da gestora na política regional, ao invés da nossa, lhe causou muitos embaraços.

                        Foram tantas as promessas feitas antes da eleição passada, que nosso povo consagrou nas urnas o nome da atual prefeita, que sozinha suplantou os votos de todos os candidatos adversários. Um feito inédito, digno de elogios.

                        Uma eleição na época almejada por muitos, sendo, naquele momento, a expressão da preferência popular, portanto, indiscutível, legítima.

                        Passada a euforia da vitória, notou-se que as centenas de promessas ditas em palanque não teriam lastro ante a situação caótica do setor financeiro do município, “assim disseram os novos dirigentes”, contrariando o relatório conclusivo sobre a administração anterior, de Dr. Saulo Pedrosa, que aprovou em sua totalidade as ações do antigo prefeito, inclusive a parte financeira, que foi assentada naquele relatório, com saldo de caixa, pagamentos em dia a fornecedores, funcionários, etc. O relatório frise-se, foi assinado pelos que representaram à antiga e nova administração.

                        Os argumentos apresentados pela administração “cidade mãe”, portanto, não coadunam com o que foi dito no tocante às irregularidades, pois não foram comprovadas.

                        O inchaço de funcionários ocorrido nos primeiros dias da nova administração, certamente contribuiu para o acúmulo dos problemas. Despesas imediatas com carnaval, compras em demasia e contratos diversos, a maioria sem licitação, ao invés de arrumar a casa, provocou efeito contrário.

                        As contas do primeiro ano foram um atestado negativo da maneira de conduzir os interesses do município. Não foi à toa que o Tribunal de Contas dos Municípios desaprovou-as. A Câmara de Vereadores, porém, num gesto magnânimo e altamente comprometedor, aprovou as contas. Paciência, a subserviência, mesmo combatida, se enraíza com facilidade em muitas administrações! Com tais leis, os políticos sempre trabalham visando a manutenção dos seus cargos, não importando os eventuais assaltos aos cofres públicos, uma cultura muito difícil de ser erradicada.

                        A improvisação foi à tônica da “cidade mãe”. Nada se fazia dentro de uma programação obediente aos critérios básicos de um planejamento racional. Obras eram iniciadas e, depois, estagnadas. A Praça dos Sentidos, por exemplo, teve sua execução no prazo de três anos e meio e, mesmo assim, com um acabamento a desejar.

                        Na saúde houve alguns progressos, mas o paternalismo na distribuição de requisições prevaleceu ao longo de todo mandato da 1ª prefeita, preferencialmente para muitos vereadores, talvez em troca de apoio legislativo.

                        Obras federais foram apregoadas insistentemente com se fossem do município, um comportamento copiado do governo do estado, que se vangloriou, na sua rica propaganda, de destacar como suas, as obras que todos sabem serem do governo federal. 

                        A infraestrutura viveu sempre do improviso. Só trabalhou um pouco no desfecho da campanha à reeleição. Suas principais tarefas foram postos de saúde, um tapa buraco que nada tapou e nada mais.  O problema do lixo foi empurrado com a barriga, pois muitos dizem que os caminhões que a prefeitura “comprou”, na verdade apenas locou-os. O lixão ainda é um gargalo, pois o aterro sanitário já não é suficiente para acumular tanto lixo. A anunciada Usina do Lixo esbarrou nos trâmites legais.

                        No social tivemos alguns progressos, mas é bom salientar que todos os programas encetados já existiam desde a última administração do Sr. Antônio Henrique, apenas os nomes de alguns programas foram modificados. A diferença é que no governo de Antônio Henrique o município gastava muito com tais iniciativas. Naquela época, por sinal, a receita do município não chegava a um terço da atual.

                        A maior obra ora em construção na nossa cidade, o esgotamento sanitário, com recursos obtidos pela Embasa junto a Caixa Econômica Federal, através de empréstimo, ao contrário do que foi exaustivamente afirmado pela gestora, não é uma obra sua. Mas, para que ela fosse iniciada, a concessionária cercou-se de inúmeras garantias, algumas delas em prejuízo dos interesses do município, que exagerou nas benesses à concessionária. Também a ponte sobre o rio Grande, parte do anel viário, também mereceu destaque publicitário como uma obra da prefeitura, com o que não concordamos. Afinal, o DNIT projetou e está executando aquele empreendimento, através da contratação de uma construtora mineira.

                        Alguns fatos da administração devem ser realçados, como por exemplo, a atuação da Coordenação do Comércio, Indústria e Prestação de Serviços, hoje Secretaria, antes sob a competente batuta de Carlos Costa, muito bem substituído pelo eficiente José Maria de Albuquerque Júnior. O setor se destacou em todas as tarefas que lhes foram confiadas, mas se lamenta que muitos projetos lá produzidos, mas não executados, por falta de verbas, ou pela não obtenção de certidões negativas pelo município, um constante problema em todo mandato da prefeita.

                        Enfim, com muitos desmandos, a situação da alcaidina ficou comprometida, mas de última hora, assim como num passo de mágica, na reta final a candidatura da prefeita cresceu vertiginosamente, ao ponto de ser temida pelos adversários! No entanto, para tristeza dela e dos seus seguidores, a exiguidade de tempo barrou sua reeleição.

*Itapuan Cunha é editor do blog do Itapuan.

No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: