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III Conferência em Salvador alerta para o caráter de soberania nacional da defesa agropecuária brasileira

25/04/2012

Defesa agropecuária como política pública e questão de soberania nacional, compartilhada em sua responsabilidade entre produtores e governos. Sem isso, o país não terá condições de confirmar e sustentar a liderança mundial na produção de alimentos até 2020. Em torno dessa e outras máximas devem gravitar as discursões na III Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária, que começou ontem (23) e vai até sexta-feira (27), no Centro de Convenções da Bahia. O evento é realizado pela Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA) por intermédio da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia (Seagri)/ADAB. A solenidade de abertura contou com palestra magna conferida pelo ex-ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

“Se não tivermos todo o cuidado com a defesa animal e vegetal, com a inspeção, estaremos escancarando as nossas divisas, a nossa economia. Somos vizinhos a países onde existem pragas e doenças de alto risco. A monilíase, por exemplo, uma doença que ataca o cacau, está apenas a duzentos quilômetros da fronteira com o Perú e não podemos deixar que ela entre no Brasil, assim como muitas outras”, alertou o secretário da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles, em seu pronunciamento na solenidade de abertura.

O secretário ressaltou a importância da defesa agropecuária para a Bahia, em especial. O estado tem 30% da população rural do país, 56 milhões de hectares, e se destaca no ranking de produção de diversos produtos, como caprinos, ovinos, citros, graviola, algodão e outros.

“Se uma praga como a mosca do Suriname, que entrou no Brasil e hoje está contida no Amapá, chegar a um estado que tem uma fruticultura pujante, como a Bahia, teremos consequências catastróficas”, disse o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), Paulo Emílio Torres. Segundo quem, falhas na defesa não podem ser admitidas.

“A agropecuária brasileira já tem sérios problemas. Alguns dos quais, como a seca que castiga severamente o semiárido baiano, não dependem do nosso controle. Já a defesa é nossa responsabilidade. Defesa é para combater e controlar. As ameaças fitossanitárias não podem ser tratadas de forma regionalizada, mas universalizada”, afirmou Paulo Emílio Torres. O diretor geral lembrou ainda que os problemas mudam com o tempo, e o setor precisa estar preparado para mudar também, e para agir de maneira célere no enfrentamento das ameaças.

Agenda

Na noite de abertura da III CNDA, a “palestra magna” ficou a cargo do Deputado Federal e ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes. Ele falou sobre a importância de “Uma Agenda para a Agricultura”, ressaltando desafios para o setor nos próximos anos.

“Somos o país cuja agricultura, nos últimos 10 anos, mais cresceu em eficiência. E, nos próximos 20 anos, teremos que produzir o dobro em termos agrícolas para sermos uma potência mundial na produção de alimentos”, apontou. Segundo Stephanes, o Brasil tem todas as condições para desenvolver ainda mais o segmento se superar alguns entraves relacionados às áreas de transporte, logística e fertilizantes.

O caminho para o crescimento da agropecuária brasileira é a união entre produtividade e tecnologia”, acrescentou Reinhold Stephanes. “Isso, aliado à participação dos produtores agrícolas nas decisões nacionais, é que pode colocar o país numa posição de destaque perante o mercado mundial”.

O ex-ministro e economista defendeu a criação e consolidação de uma Agenda para a Agricultura, participativa e disseminada entre a sociedade, capaz de estabelecer direcionamentos estratégicos para o desenvolvimento da agropecuária no Brasil. Durante sua apresentação, Reinhold Stephanes elencou os  principais eixos dessa Agenda: pesquisa com mais investimentos; sistema de defesa com mais recursos e integração entre os estados; revisão na política agrícola e segurança jurídica no campo.

“Mas todos esses aspectos precisam ser tratados independentemente de conjunturas políticas, abrindo a possibilidade de criar um ambiente minimamente favorável à continuidade das ações”, finalizou.

Confira a programação completa em http://www.gt5.com.br/defesa2012/

 

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