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Um jornalista de notório saber, 42 anos depois.

10/05/2011

O jornalista Luiz Cláudio Cunha, um veterano de várias redações brasileiras, recebeu, ontem, na Universidade de Brasília,  o seu diploma de jornalismo, depois de 42 anos de trabalho. Nesse tempo de vida profissional, faturou os principais prêmios do jornalismo brasileiro, como o Esso e o Vladimir Herzog, além do prêmio Jabuti, um dos maiores na área literária, com o livro-reportagem Operação Condor: o seqüestro dos uruguaios  — uma reportagem dos tempos da ditadura (L&PM Editores, 2008, 472 páginas).

Trabalhou nas mais importantes redações do país: Zero Hora, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo, O Globo, Playboy, Realidade, Correio Braziliense e Rede Globo. Em Brasília, comandou as redações de Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil, Zero Hora, Afinal e Diário da Indústria e Comércio. Nesta segunda-feira, 9 de maio, sua trajetória profissional exemplar foi reconhecida com o título de notório saber, concedido pela Faculdade de Comunicação e entregue pelo reitor José Geraldo de Sousa Junior.

A  homenagem foi acompanhada pelos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Ana Amélia Lemos (PP-RS); pelos professores Zélia Leal Adghirni, David Renault, Luiz Martins, Maria Jandyra Cunha e Hélio Doyle; e pelos jornalistas Eliane Catanhêde, Tales Faria e Edgar Lisboa. Em longa entrevista, Luiz Cláudio fala de como recebeu esse reconhecimento acadêmico e dos desafios da profissão de jornalista.

UM PARTO DORIDO

Lembro-me como se fosse hoje, na redação de Zero Hora, eu já tinha então uns dois anos como redator, depois de experiência como pauteiro, chefe de reportagem, editor de economia e de internacional. Considerava-me um jornalista experiente.

Um jovem “alemãozinho” magrinho, recomendado pelo então chefe de reportagem, Antonio Manoel de Oliveira, tinha saído pela primeira vez para a rua com uma pauta. Vinha de uma breve passagem pela Folha de Londrina. E na volta à redação, tinha “embatucado” na primeira linha do lead (abertura da matéria) e não conseguia sair dali.

Antonio me recomendou: -Dá uma força para o magrinho. Eu fui lá à mesa, onde ele estava estático, questionando a validade da vida em frente a uma potente Studio 44 da Olivetti, tenso. E pouco a pouco conseguimos completar o seu relato, ainda meio capenga, que foi devidamente “penteado” pelo redator.

Antonio, faro fino, sabia que estava diante de um talento. Eu, pelo contrário, nem de longe imaginava a cepa de jornalista ousado, valente e determinado no qual ajudei no primeiro parto jornalístico. Luiz Cláudio sumiu no mundo para um lado e eu para outro. Pouco nos falamos, a não ser uma oportunidade em 88 ou 89 quando o visitei na redação da Isto é, em Brasília. Mas sempre me orgulhei de ser o parteiro de sua primeira matéria.

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