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Morrem em tiroteio com a PM baiana, em Barreiras, Ricardo Alagoano e comparsas.

10/04/2011

O pistoleiro Floro Calheiros Barbosa, o Ricardo Alagoano, seu sobrinho Lucas Calheiros Barbosa e, um terceiro não identificado,  morreram, em tiroteio com policiais da PM baiana, agora pela manhã, na entrada oeste de Barreiras, no trecho de estrada entre a Polícia Rodoviária Federal e o Batalhão de Engenharia e Construção, na BR-242. Junto ao corpo deste terceiro, foram encontrados documentos em nome de João Carlos Pinheiro da Costa, mas a autenticidade dos mesmos ainda está sendo checada pela polícia técnica, sob a coordenação do delegado André Aragão.

Os matadores eram foragidos da justiça de estados nordestinos, com extensa ficha policial e, perseguidos pela Polícia do Tocantins, acabaram cercados pela PM baiana quando trafegavam numa Mitsubishi de cor preta, tomada de assalto após confronto com os policiais na fronteira dos dois estados.  Junto aos corpos dos criminosos foram encontradas duas armas de calibre 9 mm, das marcas Taurus e Glock. Alguns policiais disseram ter ouvido ruído característico de rajada de sub-metralhadora, mas a arma ainda não foi encontrada. O filho de Ricardo, Fábio Calheiros, teria sido baleado, ontem, pela PM do Tocantins e preso na oportunidade.

Floro Barbosa Calheiros é alagoano e trabalhava como agiota, sendo considerado foragido da Justiça de Sergipe. Ele seria o mandante do assassinato do empresário e ex-deputado estadual baiano Maurício Cotrim Guimarães, 59 anos, crime ocorrido no dia 14 de setembro  de 2007, em Itamaraju.Tempos depois, em 2009, o delegado André Serra, que indiciou Floro, foi assassinado por dois pistoleiros, a bordo de uma moto,  enquanto caminhava numa praça na cidade de Ipiaú, após comprar um acarajé.

Ex-assessor parlamentar na Assembléia Legislativa de Alagoas, Ricardo pertence à família Calheiros, a mesma do político Renan Calheiros. Há poucos dias, numa surpreendente entrevista à imprensa, Ricardo, que fugiu de um presídio do Sergipe em 2008, negou ser o mentor do atentado contra o desembargador do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE) Luiz Antônio Araújo Mendonça.

Ricardo Alagoano

Ricardo e seus familiares eram acusados, dentro de uma série interminável de crimes, de chefiar o atentado contra o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe , o desembargador Luiz Antônio Araújo Mendonça, em agosto do ano passado. Calheiros foi detido duas vezes, mas estava foragido há dois anos. Antes de fugir, ele teria jurado Mendonça e um deputado estadual de morte. Ex-promotor de Justiça, Mendonça foi secretário de Segurança por duas vezes durante a administração do ex-governador João Alves (DEM).

Neste atentado, os bandidos fizeram cerca de 30 disparos contra o carro presidente do TRE, Luiz Mendonça, que foi atingido por estilhaços no pescoço, tendo morrido alguns dias depois o motorista, um Policial Militar, que dirigia seu carro.

Ricardo Alagoano, quando estava detido em 2008.

A HISTÓRIA DE FLORO CONTADA POR UM SITE DA BAHIA.

No dia 21 de janeiro de 2008, o site baiano Radar 64 publicou matéria, que começa com o relato da segunda prisão de Floro:

Floro Calheiros, o “Ricardo Alagoano”, acusado da morte do ex-deputado Mauricio Cotrim e também de outros homicidios na Bahia, foi preso no final da manhã deste sábado (19), numa de suas propriedades em Gurupi, cidade localizada no sul do Estado de Tocantins, conforme já noticiou o Radar64.

Floro era conhecido na cidade como ‘Doutor Gonçalves e já vinha se consolidado na região de Gurupi como fazendeiro influente no ramo de criação de gado. Os policiais encaminharam Floro Calheiros, inicialmente, para a sede da Polícia Federal em Palmas, onde foi transferido em seguida para Aracaju.

A “caçada” para prisão de Ricardo Alagoano se intensificou após o delegado-chefe da Polícia Civil no Estado da Bahia, João Barbosa Laranjeira ter designado, em 09/11/2007, o delegado André Luiz Serra, para presidir o inquérito policial para investigar o homicídio do ex-deputado estadual Maurício Cotrim Guimarães, 59 anos, assassinado com 5 tiros, quando o mesmo fazia uma caminhada no final da tarde do dia 14/09/2007, no centro de Itamaraju, cidade localizada no extremo sul do estado.

Após algumas investigações na noite do dia 13/11/2007, foi preso em casa, na cidade de Eunápolis, pela equipe do delegado André Luiz Serra, o pistoleiro Antônio Medeiros, o “Alemão”, 48 anos, que ao prestar depoimento ao delegado confessou sua participação no assassinato de Mauricio Cotrim em companhia de outro pistoleiro conhecido por “Roque”, a mando de Floro Calheiros Barbosa, o “Ricardo Alagoano”.

“Alemão” ainda confessou que assassinou outras pessoas na Bahia a mando de “Ricardo Alagoano”, dentre elas: uma mulher e um traficante conhecido por “Toninho”, em Teixeira de Freitas, cinco pessoas de uma mesma família, em Corumbau, no município de Prado, o empresário Djair Eloy, sócio-gerente do grupo “Paratodos”, em Eunápolis, e José Carlos da Silva Moraes, 51 anos, gerente da casa de shows Axé Moi, em Porto Seguro, além de algumas pessoas no estado de Sergipe e Rondônia, todos estes a mando de “Ricardo Alagoano”. “Alemão” confessou também que assassinou o próprio irmão em Almenara/MG.

O pistoleiro “Alemão” ainda disse que o seu parceiro “Roque” foi quem atentou contra a vida do ex-prefeito de Mucuri, Roberto Carlos Figueiredo Costa, “Robertinho”, na noite do dia 23 de abril de 2004, quando o ex-prefeito teve o seu carro alvejado com 12 tiros quando saia de sua casa em Mucurí em companhia de familiares e um amigo. Na ocasião, Robertinho, a babá da sua filha e um amigo, saíram feridos à bala.

Depois de ser preso em Eunapolis “Alemão” foi encaminhado para Polinter, em Salvador, e posteriormente ao Complexo de Operações Policiais Especiais de Aracaju, em Sergipe, para prestar depoimento sobre a participação em assassinatos naquele Estado.

Em Sergipe o “Alemão”, contou, com riqueza de detalhes, perante a juíza Iolanda Guimarães, da 5ª Vara Criminal, e ao promotor de Justiça Augusto César de Resende Leite, alguns assassinatos praticados em Sergipe, a mando de Ricardo Alagoano.

“Alemão” confirmou tudo sobre o crime do ex-deputado estadual de Sergipe Joaldo Barbosa, ocorrido em janeiro de 2003, na residencia do parlamentar, a mando de “Ricardo Alagoano”. Confirmou a participação de todos que já foram condenados como executores do crime e disse que a morte de Joaldo se deu por questões políticas e a um empréstimo que não foi pago.

O pistoleiro Alemão também contou que Floro Calheiros assassinou um dos seus seguranças, chamado Josualdo, no quarto de um hotel em Aracaju, onde se encontrava com a namorada. Segundo ele, Josualdo era ligado ao ex-prefeito de Canindé do São Francisco, Genivaldo Galindo e teria perdido a confiança de Floro. A morte fora queima de arquivo.

Segundo ainda Alemão, em seu depoimento, Floro Calheiros mata todos os seus homens de confiança, após trabalhar com ele alguns meses ou anos, “como queima de arquivo”. O motorista Alexandro, que se encontra preso, confirmou esse seu estilo. Alemão disse até onde ele joga os cadáveres: em uma cisterna, numa propriedade que possuía em Teixeira de Freitas.

Alemão também falou sobre a fuga de Floro Calheiros da 3ª Delegacia em Aracaju. Disse que quando ele foi preso, um dos seus “laranjas”, conhecido por Moisés, que residia em Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia, queria vir resgatá-lo, mas não foi necessário. “Ricardo Alagoano” deixou a cadeia três meses depois, pela porta da frente da delegacia e foi levado pelo motorista de nome Silvano, confirmando que ele pagou R$ 300 mil pela fuga, parte dessa quantia em notas falsas.

Após a fuga em 2003, conta “Alemão”, Ricardo Alagoano fez graves ameaças a uma juíza da capital para que ela soltasse dois pistoleiros seus que estavam presos na ocasião para que um dos filhos da magistrada não morresse. De onde estava, “Ricardo Alagoano” ligou para a esposa – Paulina – e pediu que ela ligasse para a magistrada, para exigir que “ela soltasse os matadores”. E, segundo “Alemão”, “Ricardo Alagoano” teria feito a ameaça: “se não soltar, mato um dos seus filhos e entrego a cabeça na bandeja”. Depois de meia hora os dois pistoleiros foram soltos.

2 Comentários leave one →
  1. Geraldo Santos permalink
    10/04/2011 21:33

    Aqui na BAHIA este contava com muita força pois tinha ao seu lado um ex-delegado federal de SERGIPE, que era chefão da segurança da BAHIA. Agora os seus crimes serão esclarecidos. Queremos a verdade de MAURÍCIO COTRIM, A VIÚVA REGINA COTRIM, ESTÁCIO E SEUS FILHO até o DELEGADO SERRA. Foi o delegado Serra o único que enfrentou Floro na Bahia e pagou com a vida.

  2. DANILO PAIVA permalink
    15/04/2011 10:58

    Os piores bandidos usam fardas e distintivos; escudam-se nos cargos e funções públicas para o cometimento dos piores crimes. Esta corja não quer o combate a este tipo de quadrilha sob a alegação de que são policiais ou agentes públicos combatendo bandidos quando na verdade os bandidos piores são eles mesmos, os próprios bandidos fardados. Travestir-se de cumpridor da lei para cometer os piores crimes é mais desonroso e nocivo à sociedade do que a ação dos bandidos que agem de “cara limpa”, pois os bandidos fardados e com distintivos traem a confiança que a sociedade lhes depositou como agentes públicos além de afanarem o erário, dado que ao descumprirem a lei não justificam seus salários, são assim criminosos por duplo crime. Pérfidos e covardes, detestam quem os combate alegando a aparência de agentes da lei. Não têm medo de Deus mas se cagam de medo de uma microcâmera. Portanto, a Justiça será feita, pois nós amigos, familiares e advogados não deixaremos esse crime em vão! DANILO PAIVA, Amigo, e cidadão canindeense.

    Nota do Editor: vamos publicar sua nota em respeito à liberdade de expressão. Não temos inteiro conhecimento dos fatos que originaram seu comentário. No entanto, nos ressalvamos da responsabilidade civil e criminal de suas afirmações.

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