Pular para o conteúdo

O novo reduto da violência é o interior do País.

26/02/2011

A criminalidade cresce de maneira alarmante no interior do Brasil. A pequisa Mapa da Violência 2011, divulgada pelo Ministério da Justiça, aponta que entre 1998 e 2008 a taxa de homicídios no interior aumentou 38,6%, enquanto as capitais e regiões metropolitanas reduziram seus índices em 24,6%.
De acordo com o estudo, houve deslocamento dos polos da violência para os locais com menor presença do Estado na área de segurança pública. Isso demonstra a falta de políticas específicas para combater a criminalidade em municípios de médio e pequeno porte.
O Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), principal ação do governo federal na área, atende apenas os grandes centros urbanos e municípios com mais de 200 mil habitantes. Os governos dos estados, aos quais cabe constitucionalmente estabelecer e executar as políticas de segurança pública, também não têm ações sistemáticas para conter a criminalidade e a violência nessas localidades.
A interiorização da violência indica que é o interior que assume a responsabilidade pelo crescimento das taxas de homicídios e não mais as capitais ou regiões metropolitanas. ‘É inegável que essa situação de equilíbrio instável vai exigir esforços redobrados dos governos e da sociedade civil para interiorizar e espalhar as políticas de contenção e enfrentamento da violência’, diz a pesquisa.
De acordo com a coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Silvia Ramos, o processo de migração da violência começou das capitais para os municípios das regiões metropolitanas e depois para o interior. ‘Hoje, a violência migrou para os chamados municípios de médio porte. Aquela cidade com 50 mil habitantes, que era um lugar onde todo mundo dormia de portas e janelas abertas ou ficava na pracinha até de noite tocando violão.’
Fatores como tráfico de drogas, comércio clandestino de armas e policiamento precário contribuíram para o aumento das taxas de homicídio no interior do país, segundo Silvia. ‘Essas cidades adotaram uma cultura de violência. Aquela cidadezinha [pacata] passou a ser um local onde todo mundo está se entupindo de grades.’
Além da interiorização da violência, a pesquisa também destaca a concentração da criminalidade em certas áreas urbanas, como favelas e zonas periféricas. Para Silvia, isso reflete o surgimento de uma nova variável explicativa para o crescimento da violência: a geografia urbana.
‘Antigamente, costumava-se imaginar que renda, gênero, raça e escolaridade eram variáveis explicativas importantes para entender taxa de homicídio. Embora tudo isso seja verdade, apareceu uma nova, que é a variável do local de moradia.’
De acordo com a coordenadora, as políticas públicas não estão preparadas para intervir de forma integrada nesses territórios. ‘Temos de melhorar as respostas na área de segurança pública. Para que a criminalidade seja reduzida, temos, em primeiro lugar, que ter policiais comunitários e, ao mesmo tempo, investir na melhoria [infraestrutura e ações sociais] dessas áreas.’ Texto e informações de Daniella Jinkings e João Carlos Rodrigues, da Agência Brasil.

Cidades que são polos de atração para migrantes, com tráfego de drogas baratas como o crack, são o caldo de cultura onde prolifera esta onda avassaladora de violência. Luís Eduardo, Barreiras e São Desidério ainda não atingiram os picos de violência. É a hora de evitar essa terceira onda.

2 Comentários leave one →
  1. MARIO MACHADO permalink
    27/02/2011 11:37

    Ordenamento das Capitais por Taxas de Homicídio (em 100 Mil) na População Total.1998/2008, Salvador pulou de 25o lugar para o 4o lugar em 2008. Seria preocupante se nao fosse tragico um avanço desta natureza.
    A ausencia de investimento publico, as vezes simples, como nós vimos em LEM com as Operaçoes Choque de Ordem, torna o cidadao refem dos bandidos e do Estado. Estado de Desespero.

  2. MARIO MACHADO permalink
    27/02/2011 11:49

    Só no que dz respeito ao transporte como causa de violencia/morte o estudo se vale de 39 páginas, o que equilave a quase 25% do estudo, com os mais variados aspectos. A falta de educaçao é a maior responsavel pelas mortes em transportes, seguida de perto pela imprudencia, diria que colada cabeça-a-cabeça, enquanto nao se mudarem os motoristas as leis que ai estao cumprem razoavelmente o seu papel.
    É de lamentar que o resultado só vai ate 2008, faltam os ultimos 2 anos e 2 meses para serem computados, e quantas vidas foram ceifadas??

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: