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“Minha vida está dentro do rio”.

30/06/2010

Foto de Danilo Verpa/Folhapress

A chuva que voltou a atingir ontem o Nordeste fez o nível de rios subir novamente provocando a morte de uma criança em Recife, a 57ª vítima dos temporais que assolam a região. De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, em Pernambuco e Alagoas pelo menos 27 municípios estão em calamidade pública. Para tentar amenizar os danos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto permitindo a antecipação do pagamento de benefícios previdenciários para cerca de 100 mil pessoas que moram nos dois estados.

Talvez, se esse governo patrimonialista não tivesse gasto 8 bilhões em propaganda oficial, nos últimos sete anos, teria se evitado um pouco dessa tragédia, repetida duas vezes em cinco ano, levando as construções singelas dos nordestinos barranca acima. Como afirma Arnaldo Jabor, ao perscrutar as origens da tragédia:

“A catástrofe estava encravada nas fazendas fantasmas, nos municípios controlados por barões, na indústria da seca? Não só a seca do solo, mas a seca mental ? Onde a estupidez e a miséria são cultivadas para criar bons serviçais para a burguesia boçal. A catástrofe estava se armando enquanto soavam as doces camaradagens corruptas em halls de hotel, os almoços gordurosos, as cervejadas de bermudão, as gargalhadas, as “carteiradas” autoritárias, os subornos e as chaves de galão. As catástrofes estavam se armando durante os jantares domingueiros, na humilhação das esposas de botox, no respeito cretino dos filhos psicopatas, na obediência dos peões, dos capatazes analfabetos. A catástrofe se armava no sarapatel de idéias que vão desde um leninismo tardio até este “revival” de um sindicalismo getulista a que assistimos.”

Frase de um brasileiro em Santana de Mundaú, a cidade em que até o Prefeito teve sua casa arrastada pelas águas:

-Minha vida está dentro do rio.

Como diz Arnaldo Jabor, as cidades atingidas pelas águas já estavam mortas.

Em 1988, em uma enchente semelhante, várias famílias ficaram desabrigadas. Hoje, 22 anos depois, continuam sem casas. Corrupção, coronelismo, voto de curral, descaso, tudo isso somado, mais o despreparo dos gestores públicos criaram, não só no Nordeste, mas também no Sul maravilha, ilhas de pobreza, abandono e desespero.

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