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O poder inebriante da Copa do Mundo.

24/06/2010

“Embora as mazelas localizadas e pontuais de cada País e de cada Povo, estamos em clima de Copa do Mundo e não podemos evitar, isso é contagiante.”

Joel Ferreira Ribeiro, intimorato advogado gaúcho, nascido em São Borja, sobre as barrancas do rio Uruguai, hoje nas lides jurídicas do Oeste baiano e do Distrito Federal, mostra, em lúcido artigo, que nenhum brasileiro está indene às disputas da Copa do Mundo. E demonstra como o Brasil está sofrendo goleada de 5×0 pela África do Sul. Veja o artigo na íntegra.

Desde o dia 11 de junho o mundo está com os olhos voltados para o continente africano, devido ao Campeonato Mundial de Futebol que se desenvolve na África do Sul.

No Brasil não poderia ser diferente, afinal nossos craques estão naquele País em busca de mais um título para as galerias da CBF, que é Feudo do Sr. Ricardo Teixeira.

Ocorre que a Copa do Mundo tem o poder de ofuscar, de mascarar ou no mínimo adiar as grandes questões que envolvem o Brasil, pois o povo fica embevecido.

Estamos todos envolvidos nos resultados, assistindo a todos os jogos, transformamo-nos em duzentos milhões de treinadores e comentaristas esportivos, enquanto isso a vida continua e nem percebemos.

Nesse tempo de Copa do Mundo ninguém reclama do salário; do custo de vida; dos excessivos impostos que o governo nos extorque diariamente; da corrupção, etc., ao contrário estamos todos com um grande sorriso no rosto, afinal estamos no páreo, gostando ou não do Dunga ele está no comando e está ganhando os jogos e avançando para aproxima etapa.

Enquanto isso, em plena Copa do Mundo, mais precisamente no dia 30 de junho o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL se reunirá em sessão ordinária para o julgamento do pedido de INTERVENÇÃO FEDERAL no Governo do Distrito Federal, formulado pela Procuradoria Geral da República.

Pela primeira vez na história da República existe a possibilidade de um Interventor comandar os destinos do Distrito Federal.

O escândalo que abalou Brasília, meses atrás, encontrou ressonância na população; na sociedade; na mídia; no País inteiro e, especialmente nos estudantes de Brasília que enfrentaram a polícia e apearam do Poder uma camarilha. Aquela que assaltava os cofres públicos, entre eles Governador, Vice-Governador, Presidente da Câmara Distrital.

Esta semana a Deputada Distrital Eurides Brito, do PMDB, teve seu mandato cassado em seção secreta, é o primeiro ato efetivo para a faxina que urge no legislativo brasiliense.

O pivô do escândalo afirma que um rolo compressor está por vir, existem, inclusive, investigações sobre a participação da autoridade maior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e, de uma Promotora de Justiça que guardava dinheiro enterrado nos jardins de sua casa. Uns guardam dinheiro em cuecas e meias outros preferem adubar o jardim.

Não devemos esperar muito, pois não haverá grandes mudanças, certamente, a Câmara Distrital, que num conchavo, concedeu um mandato tampão a um governador inexpressivo e inoperante, não exercerá suas obrigações constitucionais para apurar, cassar e afastar da vida pública todos os envolvidos com aquela roubalheira.

Enquanto O Procurador Geral do Ministério Público do Distrito Federal e uma Promotora são investigados por desvios funcionais nós assistimos aos jogos da Copa.

Enquanto o Senado da República continua sendo assaltado, nós nos embriagamos com os lances da Copa.

Enquanto o Supremo Tribunal Federal julga o pedido de intervenção da Capital do País nós respiramos os ares da Copa.

Enquanto candidatos a cargos eletivos, presidente, governadores, deputados federais e estaduais fazem uma vergonhosa e escancarada campanha eleitoral antecipada, afrontando a legislação eleitoral e a todos os eleitores com seus ridículos adesivos distribuídos aos incautos, nós vivemos de Copa do mundo.

É obvio que a beleza e o significado emblemático dessa competição não devem ser esquecidos nem remetidos a segundo plano, pois hoje na África do Sul estão reunidos, pacifica e festivamente, povos e culturas dos quatro cantos do mundo, o que de certa forma é uma conquista para a humanidade.

Isso não significa que não ocorram alguns (mínimos) deslizes como, por exemplo: o técnico da França em atitude antiesportiva e sem a mínima urbanidade recusou o cumprimento do técnico Carlos Alberto Parreira; ou o caso do ditador Kim Jong-Il da República Democrática Popular da Coréia (Coréia do Norte), que autorizou a televisão norte coreana a mostrar ao seu povo apenas o gol que fizeram contra o Brasil, omitindo os dois que sofreram.

Embora tudo isso; embora as mazelas localizadas e pontuais de cada País e de cada Povo, estamos em clima de Copa do Mundo e não podemos evitar, isso é contagiante.

Por fim, mesmo que a maioria dos representantes do continente africano tenham sido eliminados, na primeira fase da competição, inclusive a nossa anfitriã, a África do Sul, eles são os vitoriosos, pela grandeza da festa.

Aliás, África do Sul pode até não ser muito boa de futebol. Afinal, nunca ganharam uma Copa do Mundo, mas eles derrotaram o Brasil e muitos outros países, por cinco a zero (5 x 0) quando faturaram 5 (cinco) Prêmios NOBEL – DOIS DA PAZ e TRÊS DE LITERATURA e nós…, bem…, nós aqui…, seguimos com o nosso Paulo Coelho.

Joel Ferreira Ribeiro-Advogado.

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